Líderes de oposição a Morales suspendem greve de fome

Os líderes do departamento de Beni, um dos quatro que reivindicam na Bolívia a aplicação de um regime autônomode gestão, suspenderam na quarta-feira a greve de fome que mantinham há 10 dias, informou o dirigente cívico Alberto Melgar.O protesto, com a adesão de 481 pessoas, foi suspenso parapreparar a reunião de sexta-feira, na qual será decidida a posição a ser adotada pelo departamento se o presidente Evo Morales não reconhecer o resultado do plebiscito que aprovou a autonomia, em 2 de julho.Além de Beni, a população dos departamentos de Santa Cruz, Tarija e Pando aprovou a inclusão do regime autônomo na nova Constituição boliviana.Melgar disse em entrevista coletiva que a greve foi suspensa para garantir "uma assembléia que demonstre ao país que Beni não se humilha e exige o direito de ser autônomo, e que a Constituinte respeite a regra dos dois terços para a aprovação da nova Constituição Política do Estado".A greve de fome continua em outros oito departamentos, com um total de 2.258 pessoas, segundo um boletim do partido de oposição União Nacional. Entre elas, os governadores Rubén Costas, de Santa Cruz, Mario Cossío, de Tarija, e Leopoldo Fernández, de Pando.Num documento, os líderes da "Meia lua" boliviana rejeitaram a afirmação de que seu movimento promove o separatismo, como acusam as autoridades do Governo socialista. Pelo contrário, "a luta pelos dois terços e pelas autonomias são a garantia da unidade da pátria",Disseram.Em Tarija, o líder do Comitê Cívico regional, Francisco Navallas, saiu da unidade de tratamento intensivo dois dias depois de suspender um jejum de 14 dias. Ele disse que "a democracia está ferida de morte".Setores sindicais, camponeses e indígenas promovem manifestações a favor do Movimento Ao Socialismo (MAS, governista). Houve passeatas nas cidades de Potosí, El Alto e Oruro. Em Sucre, a sede da Constituinte, a direção suspendeu a plenária convocada para hoje devido à ausência dos representantes dos partidos da oposição.

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