Líderes de protestos em Hong Kong suspendem diálogo com governo

Líderes de protestos em Hong Kong suspendem diálogo com governo

Líderes dos protestos disseram que decisão foi tomada porque autoridades foram coniventes com ataques contra os manifestantes

O Estado de S. Paulo

03 de outubro de 2014 | 14h57


HONG KONG - Os estudantes que lideram os protestos por mais democracia em Hong Kong anunciaram nesta sexta-feira, 3, a suspensão do diálogo que realizariam com o governo para tentar um acordo sobre o futuro político da região.

A decisão foi uma reação aos confrontos ocorridos nesta sexta, depois que os manifestantes foram atacados por cidadãos contrários aos protestos. Segundo os líderes das manifestações, houve conivência das autoridades com os ataques.

"Não temos outra escolha além de suspender o diálogo depois que o governo e a polícia viraram suas costas hoje para as ações violentas de grupos dirigidos contra os manifestantes", anunciou a Federação de Estudantes de Hong Kong, uma das organizações que lideram os protestos.

O líder de Hong Kong, Leung Chun-ying, havia proposto o diálogo com os manifestantes, mas recusou-se a renunciar. Com o apoio do governo chinês, Leung deixou claro que não recuará, mesmo diante dos piores distúrbios da cidade em décadas.

Cidadãos contrários aos protestos atacaram os manifestantes nos distritos de Causeway Bay e Mong Kok, um dos bairros de maior densidade populacional em Hong Kong, onde ocorreram as situações mais tensas do dia.

Quase mil partidários do governo chinês encurralaram um grupo de estudantes em Mong Kok para destruir os acampamentos montados nas ruas. Policiais organizaram uma corrente humana para conter os cidadãos, mas foram derrubados.

Segundo os estudantes e participantes do protesto, os opositores atiraram garrafas de água contra eles e as autoridades "não fizeram nada". Um jovem contou ao jornal South China Morning Post que foi jogado no chão e agredido e a polícia não o ajudou. "Apresentarei uma denúncia (contra os policiais)", garantiu.

Benny Tai, um dos fundadores da organização Occupy Central - uma das principais no movimento - afirmou que os ataques foram organizados pelo governo de Pequim. Essa teoria foi bastante mencionada nas manifestações.

"Quase não há policiais suficientes para tanta gente descontrolada e não estão nos ajudando enquanto os outros nos insultam, agridem e atiram objetos contra nós", disse Lie Hu, de 24 anos. Segundo Hu, os opositores às manifestações chegaram ao local em ônibus fretados vindos da fronteira com a cidade chinesa de Shenzhen.

"Chegaram do nada, foram pagos pelo governo, não são daqui, não falam bem o cantonês (dialeto do chinês falado em Hong Kong)", explicou Cynthia, de 26 anos, integrante do movimento pró-democracia.

O sexto dia de protestos começou com menos manifestantes do que os anteriores em razão da chuva e pelo fato de a população de Hong Kong voltar ao trabalho depois de um feriado de dois dias. / EFE e REUTERS

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