Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

Líderes do Congresso americano se recusam a se juntar a Trump em visita a Pittsburgh após o massacre

Além de políticos dos partidos republicano e democrata, quase 70 mil pessoas não querem que o presidente americano compareça ao funeral das vítimas enquanto ele não condenar o "supremacismo branco"

O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2018 | 15h20

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visita Pittsburgh nesta terça-feira, 30, para prestar homenagem às 11 vítimas do ataque a tiros em uma sinagoga, mas viaja sem itinerário público, pouco planejamento e sem líderes locais ou deputados do Congresso e Senado americanos, que rejeitaram o convite da Casa Branca.

A equipe do presidente perguntou aos quatro maiores líderes da Casa - o deputado republicano Paul Ryan, a deputada democrata Nancy Pelosi, o senador republicano Mitch McConell e o democrata Chuck Schumer - se desejavam acompanhar Trump a Pittsburgh, mas todos recusaram, segundo três fontes próximas. Um assistente de McConell, que na segunda-feira denunciou o tiroteio como “crime de ódio”, disse que ele estava “indisponível para comparecer hoje” à visita de Trump.

Um porta-voz do prefeito de Pittsburgh, o democrata Bill Peduto, disse que ele foi convidado, mas não aparecerá com o presidente. Peduto chegou a pedir que Trump não visitasse a cidade até que os funerais das vítimas tivessem acabado, dizendo que “toda a atenção (na terça-feira) deve estar nas vítimas”. Peduto também acrescentou: “nós não temos seguranças o suficiente para dar proteção no funeral e ao mesmo tempo dar atenção a uma potencial visita presidencial". Mas Trump manteve os planos da visita.

O senador republicano Pat Toomey também foi convidado a se juntar a Trump em Pittsburgh, mas um porta-voz disse que Toomey já tinha um compromisso agendado na parte sudeste do Estado. Desde o tiroteio, Toomey foi a uma vigília e se encontrou com oficiais e líderes judaicos de Pittsburgh, disse o porta-voz Kelly Said.

O governador da Pensilvânia, Tom Wolf, e o executivo do condado de Allegheny, Rich Fitzgerald, ambos democratas, também não são esperados para receber o presidente. Uma pessoa próxima ao republicano Conor Lamb, que representa Pittsburgh, disse que ele não foi convidado para nenhum evento.

Autoridades da cidade, que não foram avisadas de antemão sobre os planos da Casa Branca estão esperando que ao menos dois protestos coincidam com os funerais. “Ninguém quer que ele venha aqui hoje”, disse uma pessoa envolvida com a organização. Há também preocupações, disse o oficial, de que a visita possa atrapalhar a viagem das famílias de luto.

Quando a equipe de preparação do presidente, encarregada de organizar os eventos do dia antes que ele chegue, deixou Pittsburgh na noite da segunda-feira 29, os planos da agenda de Trump não estavam claros. O presidente deve ficar na cidade por quatro horas, mas a Casa Branca não anunciou onde ele estará assim que pousar. Um porta-voz da Casa Branca disse que Trump deve fazer pronunciamentos na Pensilvânia.

Em uma entrevista para a Fox News que foi ao ar na segunda-feira à noite, o presidente disse que vai para “prestar respeito” e planeja visitar oficiais e feridos no tiroteio. “Eu realmente espero ir”, disse. “Eu iria ainda antes, mas eu não queria interromper mais do que eles já tiveram de interrupção.”

Cerca de 70 mil pessoas assinaram uma carta dizendo ao presidente que ele não era bem-vindo a Pittsburgh até que condenasse “completamente o supremacismo branco”. “Nossa comunidade judia não é o único grupo que foi alvo (de suas críticas)”, diz a carta escrita pela Organização Bend the Arc, um movimento “de judeus progressistas” que conseguiu juntar 69.148 assinaturas. /EFE e WASHINGTON POST

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