Líderes do G-7 cancelam reunião do G-8 na Rússia

Os líderes do grupo dos sete países mais industrializados do mundo, conhecido como G-7, cancelaram formalmente a reunião do G-8 em Sochi, em uma resposta à anexação da região da Crimeia à Rússia.

LUCAS HIRATA, COM INFORMAÇÕES DA DOW JONES, Agência Estado

24 de março de 2014 | 17h54

"Vamos suspender nossa participação na cúpula do G-8 até que a Rússia mude de trajeto e até que o ambiente volta para onde o G-8 seja capaz de ter uma discussão significativa", afirmou o grupo em um comunicado. Em vez de Sochi, na Rússia, as autoridades do G-7 se reunirão em junho de 2014 em Bruxelas. "Também aconselhamos os nossos ministros de Relações Exteriores a não comparecer à reunião de abril, em Moscou. Além disso, nós decidimos que os ministros de Energia do G-7 se reunirão para discutir formas de fortalecer a nossa segurança energética coletiva", disse.

Para os líderes do G-7, o referendo feito na Crimeia sobre a anexação da região à Rússia é ilegal, pois a votação é uma violação "da constituição da Ucrânia", segundo o comunicado. "Nós condenamos fortemente como ilegal a tentativa da Rússia de anexar a Crimeia em contrapartida à lei internacional e obrigações internacionais específicas. Não reconhecemos nenhuma das medidas".

O G-7 também reforçou que a Rússia ainda pode reverter suas ações, caso contrário serão tomadas medidas de punição adicionais. "Reafirmamos que as ações da Rússia terão consequências significativas. Esta clara violação do direito internacional é um sério desafio para o Estado de Direito em todo o mundo e deve ser uma preocupação para todas as nações. Em resposta à violação da soberania e da integridade territorial da Ucrânia pela Rússia e para demonstrar a nossa determinação para responder a essas ações ilegais, individualmente e coletivamente, nós impusemos uma série de sanções contra a Rússia e os indivíduos e entidades responsáveis".

"Continuamos prontos para intensificar ações incluindo sanções coordenadas setoriais que terão um impacto cada vez mais significativo na economia russa, se a Rússia continuar a escalar esta situação", afirmou o grupo.

"A Rússia tem uma escolha clara a fazer. Avenidas diplomáticas para amenizar a situação permanecem abertas e nós encorajamos o governo russo a tomá-las. A Rússia deve respeitar a integridade territorial e a soberania da Ucrânia, iniciar discussões com o governo da Ucrânia, e valer-se de ofertas de mediação internacional e monitoramento para resolver quaisquer preocupações legítimas".

O grupo também apoiou as iniciativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) na Ucrânia e da Missão de Vigilância Especial da Organização para a Segurança e Cooperação da Europa.

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