Líderes do Paquistão escaparam de atentado

Mudança de última hora tirou presidente e premiê do hotel atacado; grupo obscuro assume autoria

AP, AFP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

23 de setembro de 2008 | 00h00

Os principais líderes do governo paquistanês jantariam no sábado no Hotel Marriott, em Islamabad, no mesmo horário em que um ataque terrorista devastou o local, deixando 53 mortos e 266 feridos. Na última hora, o lugar do encontro foi alterado - o que, provavelmente, salvou suas vidas. O presidente Asif Ali Zardari, o primeiro-ministro Youssef Raza Guilani e outros membros do gabinete participariam do jantar, informou ontem o ministro do Interior, Rehman Maliki. No entanto, o diretor do hotel, Jamil Khawar, disse que não havia nenhuma reserva para os líderes do governo.Na noite de ontem, um grupo até então pouco conhecido chamado Fedayn el-Islam (Comandantes do Islã, em árabe) assumiu a autoria do ataque, de acordo com TV Al-Arabiya, com sede em Dubai, que recebeu uma fita de vídeo com um depoimento da milícia. Um membro do grupo - que atua nas áreas tribais do Paquistão - disse à TV britânica BBC que a intenção do ataque era barrar a interferência dos EUA no país e afirmou que, se os americanos têm mísseis, eles têm suicidas.O grupo teria ligações com Baitullah Mehsud, líder do Taleban no Paquistão e aliado da Al-Qaeda. Ele é acusado pelo governo de ter organizado o atentado que matou a ex-premiê Benazir Bhutto, em dezembro, mulher de Zardari. Mehsud negou ser responsável pela explosão no Marriott.Os governos do Paquistão e dos EUA culparam a Al-Qaeda e o Taleban pelo ataque, pois a sofisticação do atentando é compatível com o modo de atuação da rede terrorista. Foram usados 660 quilos de explosivos no atentado, que abriu uma cratera de 18 metros de diâmetro e matou ao menos 11 estrangeiros, incluindo o embaixador checo Ivo Zdarek.Uma nova onda de violência tomou conta do Paquistão após a explosão de sábado. No Vale de Swat, no noroeste, um suicida lançou um carro-bomba contra um quartel em na localidade de Madyan, matando nove agentes de segurança. Em Peshawar, um grupo armado seqüestrou o embaixador afegão e matou seu motorista.

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