Líderes do Paquistão se reúnem para discutir crise com EUA

Congresso americano faz pressão por expansão de ação militar no país diante de deterioração de relações

QASIM NAUMAN, REUTERS

29 Setembro 2011 | 07h57

ISLAMABAD - Líderes políticos do Paquistão realizam uma reunião envolvendo todos os partidos nesta quinta-feira, 29, para discutir as crescentes exigências norte-americanas para que Islamabad ataque militantes islâmicos e a possibilidade de os Estados Unidos adotarem ações militares unilaterais no país.

No Congresso dos EUA, cresce o apoio para que seja expandida a ação militar americana no Paquistão além dos ataques teleguiados que já têm como alvo os militantes no território paquistanês, disse o senador republicano Lindsey Graham.

Os comentários de Graham, uma voz republicana influente sobre política externa e relações militares, seguem os comentários feitos pelo chefe do Estado-Maior dos EUA, almirante Mike Mullen, que acusou o Paquistão na semana passada de apoiar o ataque de 13 de setembro da rede militante Haqqani contra a embaixada dos EUA em Cabul. A rede Haqqani é aliada do Taliban e acredita-se ter ligações próximas com a Al-Qaeda.

Estados Unidos e Paquistão têm sido aliados há décadas, mas a relação é carregada de desconfiança. O Paquistão, considerado crucial para os esforços dos EUA para estabilizar o Afeganistão, costuma ser descrito como um parceiro não confiável.

Desde que os Estados Unidos acusaram alguns membros do governo paquistanês de ajudar militantes anti-EUA, o Congresso norte-americano está reavaliando a promessa feita em 2009 de triplicar a ajuda não militar ao Paquistão para um total de 7,5 bilhões de dólares em cinco anos.

Qualquer ação militar unilateral norte-americana aprofundaria o sentimento anti-EUA que já está elevado no Paquistão sobre os ataques teleguiados e outras questões. Os políticos paquistaneses terão esse sentimento em mente quando formularem uma mensagem para os EUA na reunião desta quinta.

O chefe do serviço militar de espionagem do Paquistão, o tenente-general Ahmad Shuja Pasha, deve atualizar os políticos na reunião sobre as discussões com oficiais norte-americanos sobre as relações complicadas. Os comentários dele devem indicar se o país vai endurecer sua postura ou buscar uma reconciliação.

O chefe do Exército, o general Ashfaq Kayani, discutivelmente o homem mais poderoso no Paquistão, deve participar da reunião.

Islamabad, que recebeu bilhões de dólares de ajuda dos EUA apesar da relutância em caçar a rede Haqqani, enfrenta a pressão mais intensa para atacar a militância desde que se juntou à "guerra ao terror" norte-americana há uma década.

Em entrevista à Reuters, o senador Graham disse que os congressistas norte-americanos poderiam apoiar opções militares além dos ataques teleguiados que acontecem há anos no território do Paquistão, o que poderia incluir o uso de aviões de bombardeio norte-americanos dentro do Paquistão.

Contudo, ele não defende o envio de tropas dos EUA ao país.

"Eu diria que quando se trata de defender tropas americanas, você não quer se limitar," afirmou Graham. "Não seria uma batalha de pés no chão (com tropas) - não estou falando isso, mas temos muitas alternativas além dos teleguiados."

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