Líderes dos protestos de HK se entregarão à polícia

Três dos criadores do movimento de protesto em Hong Kong pediram, nesta terça-feira, o fim das manifestações de rua para evitar mais violência e para levar a campanha por reformas democráticas para um novo estágio.

Estadão Conteúdo

02 de dezembro de 2014 | 11h05

Não estava claro se os estudantes manifestantes, que são a maioria dos ativistas, atenderão ao chamado.

Os professores Benny Tai Yiu-ting e Chan Kin-man, além do pastor Chu Yiu-ming, disseram que pretendem se entregar à polícia na quarta-feira e assumir a responsabilidade pelos protestos que fecharam partes do centro financeiro asiático por mais de dois meses.

Em vez de protestos de rua, os três esperam continuar a campanha por meio de uma rede que compreende grupos civis, organizações comunitárias e de educação para democracia e direitos humanos

Os três fundaram o movimento Occupy Central com o objetivo de forçar o governo central da China a retirar a exigência de que os candidatos a chefe-executivo da região semiautônoma sejam aprovados por um painel escolhido por Pequim. Porém, eles representam apenas uma facção dos manifestantes, que em sua maioria são estudantes.

Joshua Wong, importante líder estudantil, disse na segunda-feira que ele e outros dois membros de seu grupo iniciarão uma greve de fome. "Nós admitimos que será difícil, no futuro, ter uma ação intensificada, então, apesar de sofrer com os cassetetes e com o gás lacrimogêneo, gostaríamos de usar nossos corpos para atrair a atenção do público para a questão", disse ele nesta terça-feira.

"Não temos certeza se a greve de fome pode pressionar o governo, mas esperamos que quando a população vir a greve de fome dos estudantes, pergunte a si mesma o que pode fazer a seguir."

Nas primeiras horas de segunda-feira, a polícia, armada com gás pimenta, cassetetes e escudos, entrou em confronto com ativistas que carregavam guarda-chuvas, quando as autoridades decidiram limpar a área em frente ao complexo de prédios do governo, onde os ativistas estavam acampados.

Os prédios da administração governamental foram fechados por algumas horas e o líder da cidade afirmou que a paciência da população estava se esgotando, acrescentando que a polícia "vai continuar a adotar ações decisivas para cumprir a lei".

"O campo de batalha do amanhã é extenso e agora é a hora de transformar a força do povo em um movimento sustentável da sociedade civil, para semear profundamente o espírito de democracia em nossa comunidade", disseram em comunicado.

Embora o pedido do trio para que os protestos sejam encerrados represente uma ameaça de ruptura para o movimento, Tai negou que eles estejam abandonando os manifestantes. "Nós apenas pedimos aos manifestantes que pensem e entendam que a luta pela democracia é uma longa batalha", disse ele. Fonte: Associated Press.

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