Kenzo Tribouillard/Pool via REUTERS
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May aceita proposta da UE de adiar o Brexit até outubro

No entanto, premiê diz que, se chegar a um acordo, o Reino Unido ainda poderá deixar o bloco em 22 de maio

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2019 | 19h47
Atualizado 10 de abril de 2019 | 23h37

BRUXELAS - A primeira-ministra britânica, Theresa May, aceitou nesta quarta-feira a proposta dos líderes europeus de adiar a saída do Reino Unido da União Europeia até 31 de outubro. O Brexit, previsto inicialmente para 29 de março, já tinha sido adiado até amanhã. May assegurou que, se chegar a um acordo, o Reino Unido ainda poderá deixar a UE em 22 de maio, véspera das eleições do Parlamento europeu, apesar da prorrogação acertada nesta quarta-feira.

Após seis horas de intensas discussões, o acordo foi anunciado pelo presidente da Comissão Europeia, Donald Tusk. Os líderes europeus consideraram insuficiente para alcançar um acordo de saída o prazo de 30 de junho pedido por May após o Parlamento britânico rejeitar três vezes o acordo acertado entre a premiê e a UE. Mas os líderes europeus concordaram que haverá uma revisão da data durante sua cúpula em 20 e 21 de junho.

Na terça-feira, Tusk informou que proporia aos líderes da UE que aceitassem uma prorrogação longa, de no máximo um ano. May havia pedido um adiamento para que pudesse ter tempo de um obter um acordo nacional que evitasse uma saída abrupta do bloco. 

A extensão evita um resultado que os líderes dos dois lados temiam: o Reino Unido saindo da UE amanhã sem um acordo de separação para reduzir as consequências econômicas. As datas debatidas estão vinculadas aos próximos eventos-chave de uma UE que muda de ciclo com as eleições para o Parlamento Europeu e a chegada de uma nova Comissão Europeia, a princípio em 1.º de novembro.

Uma das fontes europeias explicou que o “Reino Unido terá de participar das eleições europeias se continuar sendo membros (do bloco) em 22 de maio”, algo que a premiê tentava evitar. Se permanecer por um tempo longo, os europeus querem do Reino Unido uma “cooperação leal” como país que está partido e não vetar a adoção de projetos, com o orçamento do bloco para 2021-2027.

May voltou à sede do Conselho Europeu nesta quarta-feira à noite para conversar com Tusk, após ter deixado o local durante a tarde. A reunião entre os líderes europeus durou várias horas por divergências entre os países.

A França foi o país mais crítico à possibilidade de conceder ao Reino Unido um prazo mais longo e o presidente Emmanuel Macron alertou que a permanência dos britânicos no bloco poderia colocar em risco o funcionamento das instituições do bloco. Fontes diplomáticas afirmaram que os franceses ficaram isolados. Por outro lado, a Alemanha defendeu um atraso maior do Brexit e foi acompanhada por países como Portugal e Holanda. 

Sem conseguir unificar o Partido Conservador, May negocia com a oposição trabalhista para tentar encontrar uma solução, mas as tratativas não avançaram. Nesta quarta-feira, um porta-voz do Partido Trabalhista, John McDonnell, disse que as negociações estavam longe de destravar o impasse. / REUTERS, AFP, EFE e AP 

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