Líderes europeus defendem permanência da Grécia na zona do euro

Início da cúpula da União Europeia é marcada por discução entre Alemanha e França sobre eventual adoção de 'eurobônus'.

BBC Brasil, BBC

23 Maio 2012 | 21h54

Lideranças da União Europeia defenderam o apóio à Grécia na noite desta quarta-feira após reunião informal da cúpula do bloco.

As declarações acontecem após o vazamento de informações de que os 17 países-membros teriam sido aconselhados na segunda-feira a se prepararem para as conseqüências de uma possível saída da Grécia da zona do euro.

"Apoiaremos a Grécia se ela cumprir com seus compromissos", afirmou o presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso. Ele e o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, disseram que o país precisa permanecer na zona do euro.

"Desejamos ardentemente que a Grécia permaneça na eurozona", afirmou Barroso.

A suposta recomendação da União Europeia a seus membros sobre o risco da Grécia deixar o euro teria ocorrido de maneira informal entre os líderes do bloco, segundo o editor Gavin Hewitt, da BBC Europa.

Ela reflete o principal dilema atual da Comissão Europeia: se não traçar planos de contingência para a saída da Grécia pode, no futuro, ser acusada de irresponsabilidade. Porém, discutir tal estratégia pode também significar abrir caminho para um cenário econômico que deve ser evitado.

O resultado desse clima de ansiedade foi uma queda de 2% nesta quarta-feira no mercado de ações europeu.

'Eurobônus'

O impasse entre Alemanha e França sobre a criação dos "eurobônus" para solucionar a crise no bloco marcou o início da reunião informal da cúpula da União Europeia e aumentou a pressão sobre a Grécia.

A ideia de criar dos "eurobônus" - títulos das dívidas dos governos europeus garantidos em conjunto pelos 17 países do bloco - foi usada pelo novo presidente da França, François Hollande, como principal bandeira de sua campanha pelo crescimento econômico.

A ideia também é apoiada pela premiê irlandesa Enda Kenny, pelo primeiro ministro da Itália Mario Monti e pelo presidente da Comissão Europeia Jose Manuel Durão Barroso.

Já a chanceler alemã Angela Merkel - contrária à proposta - afirmou que os "eurobônus" violariam tratados e "não contribuiriam para iniciar o crescimento econômico".

A Alemanha é contra a emissão dos bônus, porque ela implicaria na responsabilização do país pelas dívidas contraídas pelos vizinhos do sul.

Além isso, a medida encareceria para Berlim a obtenção de empréstimos - pois os mercados considerariam o risco da zona do euro mais alto do que o da Alemanha sozinha.

Berlim teme ainda que ao garantir o pagamento das dívidas dos vizinhos os incentive a gastar livremente, tornando suas dívidas insustentáveis. A posição do país tem o apoio da Áustria e dos Países Baixos.

Alternativas

Merkel disse ainda que negociações informais não resultarão em decisões, mas influenciarão uma decisão formal que deve ser tomada no fim de junho.

Ela defendeu que a ênfase seja dada não aos eurobônus, mas a formas de melhorar o mercado interno da União Europeia e incentivar o mercado de trabalho, além de orientar a atuação do Banco Europeu de Investimento.

Já Hollande defendeu ajuda aos bancos. "A prioridade é aumentar a liquidez do sistema financeiro europeu para assegurar que os bancos europeus, todos os bancos europeus, se consolidem", disse.

A afirmação foi dada após o presidente francês se encontrar com o premiê espanhol Mariano Rajoy.

Rajoy negou que os bancos espanhois precisem de socorro, mas disse que as altas taxas de juros que a Espanha está tendo que pagar são insustentáveis. Os dois líderes também afirmaram ser vital que a Grécia permaneça na zona do euro.

Quebrando uma tradição, Hollande não teve um encontro prévio com Merkel antes da cúpula. Ele e outros líderes europeus devem defender o adiamento das metas de redução de déficit, que eles acreditam estar estrangulando o crescimento econômico.

Com os eurobônus, os países poderiam emitir títulos da dívida garantidos em conjunto pelos membros da zona do euro - o que pode reduzir altos custos de empréstimos cobrados da Espanha e da Itália e incentivar os mercados a emprestar a eles.

A Alemanha vendeu nesta quarta-feira títulos soberanos a 0% de juros, refletindo seu status de "porto seguro" entre os investidores.

Enquanto isso a Espanha e outros países em dificuldades enfrentaram taxas de 6% por seus títulos. Segundo o presidente do parlamento europeu Martin, Schulz, essa diferença ameaça a existência do bloco. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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