Líderes europeus não se entendem sobre a guerra

A reunião desta quinta-feira dos quinze líderes da União Européia, em Bruxelas, evidenciou a divisão do bloco sobre como agir diante da guerra dos Estados Unidos contra o Iraque. O primeiro ministro da Grécia e presidente de turno da UE, Costas Simitis, sintetizou o clima da reunião sobre o futuro da crise no Golfo Pérsico: o "consenso entre os quinze líderes europeus é que não há consenso".A declaração comum dos dirigentes comunitários reforça o papel das Nações Unidas como coordenadora "essencial durante e depois da crise atual" e alerta os países da região para a responsabilidade de prevenir atos terroristas. Os europeus defendem ainda a urgência de responder às necessidades humanitárias e reiteram o desejo da UE de criar "condições que permitam a todos os iraquianos de viverem em liberdade".Os dois parágrafos iniciais, apresentados pela presidência grega no rascunho para discussão, foram retirados. Neles, a UE lamentaria o fato do Iraque não ter aproveitado a chance da resolução 1.441 da ONU - adotada em 8 de novembro de 2002, por unanimidade, pelo Conselho de Segurança, dando ao Iraque "uma última possibilidade" de desarmamento e ainda diria que o desarmamento efetivo do Iraque faz parte do objetivo da UE.No documento final, os dirigentes europeus dizem que o começo da guerra coloca a Europa em uma "situação nova", tendo esperança que o "conflito termine com o mínimo de sofrimento e perdas de vida". Os desafios comuns em relação ao Iraque, segundo a declaração, são a defesa da integridade territorial, da soberania, da estabilidade política e do desarmamento integral e efetivo do presidente iraquiano Saddam Husseim.Os integrantes do bloco fazem um apelo a todos os países da região "a se absterem de ações que possam aumentar o nível de instabilidade" e se comprometem a continuar os esforços em favor do processo de paz no Oriente Médio.Sobre o plano internacional, os líderes europeus concordaram com uma declaração "elementar". Primeiro, reafirmaram o papel fundamental das Nações Unidas dentro do sistema internacional. Reforçaram a importância da política exterior da UE. Disseram estar "convencidos" da necessidade de reforçar a relação transatlântica. E comprometeram-se a contribuir para a coalizão internacional contra o terrorismo.A posição do bloco foi anunciada uma hora antes do previsto e as coletivas individuais de cada chefe de estado e de governo, o que ocorrem normalmente, não aconteceram. As explicações de algumas fontes são que o "documento apresentado para consenso era tão elementar e básico", que dispensou discussões. Veja o especial :

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.