AP Photo/Christian Bruna
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Líderes europeus negociam acordo para frear chegada de refugiados à Europa

Premiê turco demonstrou esperança quanto a um tratado para ajudar a conter o fluxo de imigrantes, mas França e Alemanha alertaram sobre as dificuldades, já que ambos os lados se desentendem sobre como enviá-los de volta à Grécia

O Estado de S. Paulo

18 de março de 2016 | 09h25

BRUXELAS - Os 28 líderes da União Europeia alcançaram na noite de quinta-feira, em uma cúpula em Bruxelas, uma "posição comum" para negociar um acordo com a Turquia cujo objetivo é frear a chegada de refugiados à Europa, informou o premiê de Luxemburgo, Xavier Bettel.

Com relação ao acordo sobre uma posição da União Europeia, "o presidente do Conselho (Donald Tusk) o apresentará ao primeiro-ministro turco (Ahmed Davutoglu)" na sexta-feira antes da retomada da cúpula de chefes de Estado e de governo do bloco europeu, tuitou Bettel.

Davutoglu demonstrou esperanças de um acordo com a Europa nesta sexta-feira, 18, para ajudar a conter o fluxo de imigrantes na Europa, mas França e Alemanha alertaram sobre as dificuldades, à medida que ambos os lados se desentendem sobre como enviar os refugiados de volta à Grécia.

Premiê turco chegou cedo para um encontro com o primeiro-ministro da Holanda e autoridades de alto escalão da UE antes da cúpula com os chefes de Estado e governo. "É claro que a UE e Turquia têm a mesma meta, o mesmo objetivo de ajudar refugiados sírios. Tenho certeza, vamos atingir nossa meta", disse Davutoglu a repórteres antes de entrar na reunião. Ele espera que o encontro possa render concessões políticas e financeiras para Ancara.

Atrito. O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, afirmou também nesta sexta-feira que a Europa deveria analisar seu próprio histórico com os imigrantes antes de dizer a seu país o que fazer, e acusou o continente de "'dançar em um campo minado" por apoiar grupos terroristas.

Nos comentários, Erdogan disse ainda que a Turquia só vai ouvir críticas externas a seu histórico de direitos humanos quando isso for justificado. "Em um momento no qual a Turquia está abrigando três milhões (de imigrantes), aqueles que são incapazes de encontrar espaço para alguns poucos refugiados, que no meio da Europa mantêm estes inocentes em condições vergonhosas, precisam olhar para si mesmos primeiro", afirmou em um discurso transmitido pela televisão.

Ele acusou alguns países de apoiarem o terrorismo direta ou indiretamente, uma aparente referência ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo), que há três décadas comanda uma insurgência no sudeste turco. Uma dissidência do grupo assumiu a responsabilidade por dois atentados suicidas com bomba que mataram 66 pessoas em Ancara no último mês.

Líderes europeus expressaram preocupação com a perda de vidas de civis no sudeste em meio às operações militares da Turquia para eliminar o PKK, exortando o país a usar a força de maneira proporcional. "Nossa luta contra o terrorismo é calculada e legítima. Cada organização terrorista ativa em nossa região e na Turquia se uniu contra a Turquia. Muitos Estados, principalmente países ocidentais, ainda não conseguem adotar uma postura que se baseia em princípios contra estes grupos", disse. /AFP e REUTERS

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