AFP / CHRIS RATCLIFFE
AFP / CHRIS RATCLIFFE

Líderes europeus querem rápida saída britânica

Eles querem reduzir o impacto econômico no bloco que as incertezas do limbo britânico causariam

Michael Birnbaum / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

11 Julho 2016 | 19h58

A nova primeira-ministra Theresa May dará início aos dois anos de negociações que formalizarão a separação do Reino Unido da União Europeia. Líderes europeus querem rapidez para reduzir as incertezas do limbo britânico em suas economias. Eles temem a estagnação da economia à medida que negócios e investidores esperem para ver o resultado da saída antes de tomar decisões sobre onde pôr dinheiro. 

Enquanto isso, grupos críticos à saída encontram novos argumentos após o voto britânico. Na França e na Alemanha, que têm eleições no próximo ano, líderes querem emitir a clara mensagem sobre o transtorno de deixar a UE e as vantagens de permanecer nela. 

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, criticou a Grã-Bretanha na semana passada, dizendo que o referendo “trouxe muita inquietação à União Europeia”. Acrescentou que o restante do bloco deve “fazer todo o possível para limitar o estrago”. 

“A Europa vai cair no ridículo se, depois de tal decisão, disser que haverá todo o tempo para se pensar no caso”, alertou ele. A pressão do mercado pode aumentar à medida que as negociações se arrastarem, previu. 

Segundo analistas, se o cronograma for de fato acelerado os grandes vencedores poderão ser aqueles que defendem uma ruptura mais decisiva entre a Grã-Bretanha e os 27 outros parceiros europeus. 

A Grã-Bretanha parece despreparada para conduzir as complexas negociações comerciais com a União Europeia, em parte por ter cedido o poder de negociar à UE quando se juntou ao bloco, em 1973.

 

Uma vez que o prazo de dois anos nas negociações comece a contar, aqueles do lado da UE que querem um acordo mais duro terão o tempo a seu lado.

 

Na Grã-Bretanha e no continente, os que defenderam a permanência britânica na UE também têm a esperança de que um calendário mais lento possa criar uma janela para deixar claro o transtorno econômico da saída.

 

Isso poderia aumentar o apoio a laços mais estreitos entre a Grã-Bretanha e a União Europeia, talvez no estilo do acordo da Noruega, pelo qual o país, não membro da UE, participa do mercado comum em troca de seguir a maioria das regras da UE. 

“Quanto mais tempo se dá para que as más notícias sejam absorvidas, maior a chance de modificá-las pelo menos um pouco”, disse Jan Techau, chefe da Carnegie Europe, filial em Bruxelas do grupo de estudos com base no Distrito de Colúmbia. 

Mas também a Europa pode se beneficiar de mais tempo para chegar a uma posição comum em relação à Grã-Bretanha, disse Techau. No momento, os países estão divididos entre aqueles que pregam uma separação mais ampla e drástica e aqueles que acreditam que um relacionamento mais estreito possa beneficiar ambos os lados.

 

Em síntese, o cronograma instável pode servir apenas para apressar o inevitável: uma dolorosa ruptura de laços através do Canal da Mancha, disse um analista. 

“Dois meses a mais ou a menos é irrelevante. O que importa é o conteúdo”, diz Charles Grant, diretor do Centro para a Reforma Europeia, uma organização política com base em Londres que defende a permanência na UE. “Muitos grandes negócios ainda não perceberam como vai ficar difícil. Vamos nos prejudicar terrivelmente.” / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

 

 

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