AP Photo/Michael Sohn | REUTERS/Stefan Wermuth | AFP PHOTO / Patrick KOVARIK
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Líderes europeus reiteram determinação e unidade em luta contra mudança climática

Chanceler alemã, Angela Merkel, e os premiês de Inglaterra, Theresa May, e França, Édouard Philippe, criticaram decisão de Donald Trump e se disseram comprometidos com a luta para evitar o aumento da temperatura no planeta

O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2017 | 10h57

BERLIM - Alemanha, Reino Unido e França reforçaram nesta sexta-feira, 2, o compromisso com o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas e criticaram a decisão na véspera do presidente dos EUA, Donald Trump, de retirar o país do pacto. Além deles, o secretário-geral da ONU, , pediu que os demais signatários do acordo não reduzam seus esforços para evitar o aumento da temperatura no planeta.

Em Berlim, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou o anúncio dos EUA não freará a iniciativa dos outros países e garantiu que a Alemanha, a Europa e o mundo unirão suas forças, "mais determinados do que nunca", para enfrentar o desafio da mudança climática.

"É uma decisão muito lamentável, e me expresso de maneira muito contida", manifestou Merkel na Chancelaria do país, onde analisou o passo dado pelo presidente americano, Donald Trump. Merkel considerou que é o momento de "olhar adiante" e reiterou que a Alemanha cumprirá com todos os compromissos adquiridos em um acordo que é "imprescindível" para alcançar as metas da Agenda 2030 de desenvolvimento sustentável.

"A todos aqueles que consideram importante o futuro do nosso planeta, eu digo: continuaremos lado a lado no caminho para ter sucesso, pela nossa mãe terra", apontou. "Esta decisão (dos EUA) não pode e não freará todos os que estão comprometidos com a nossa terra; ao contrário, mais determinados do que nunca, uniremos todas as forças para enfrentar este grande desafio da humanidade que é a mudança climática e superar com sucesso este desafio."

Já Downing Street, a residência oficial da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, afirmou que ela manifestou a Trump sua decepção pela saída do Acordo de Paris. Em uma conversa telefônica na noite de quinta May salientou que o Reino Unido segue comprometido com o acordo.

"A primeira-ministra expressou a sua decepção pela decisão e ressaltou que o Reino Unido permanece comprometido com o Acordo de Paris, como declarou recentemente em reunião do G-7, na Itália, afirmou o escritório.

"Ela disse que o Acordo de Paris fornece a estrutura global adequada para proteger a prosperidade e segurança das futuras gerações, enquanto se mantém uma energia acessível e segura para os nossos cidadãos e negócios", afirmou Downing Street.

Em Paris, o primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, qualificou como "calamitosa" a política americana, mas se mostrou convencido que muitas cidades dos EUA continuarão suas ações contra o aquecimento global.

"Há um enorme número de prefeitos nos Estados Unidos que vão a querer continuar trabalhando conosco", disse Philippe, em uma entrevista à emissora de rádio "RTL". Ele considerou que a posição do presidente americano "abre uma fase de consternação, mas também de resolução" e, em última instância, "reforça a urgência da ação e a necessidade" de manter a perspectiva coletiva.

"O presidente dos Estados Unidos decidiu, em boa consciência, se retirar (do Acordo de Paris). Então ele diz ao mundo que espera resolver os problemas sozinho", disse. 

ONU

"Não se pode deter a luta contra a mudança climática", advertiu nesta sexta o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, que fez um apelo a todos os países para que continuem "comprometidos" com os acordos de Paris.

"A mudança climática é inegável e constitui uma das maiores ameaças no mundo atualmente e para o futuro de nosso planeta", declarou à imprensa à margem do Fórum Internacional de São Petersburgo. "Não se pode deter a ação no que diz respeito ao clima e peço aos países de todo o mundo que mantenham o rumo, que continuem comprometidos com os acordos de Paris em benefício de todos."

"A respeito da sociedade americana, estou profundamente convencido que os Estados, as cidades, a comunidade dos negócios, a sociedade civil seguirão comprometidos e apostarão na economia verde porque é a economia do futuro", completou Guterres. / EFE e AFP

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