Frederik Von Erichsen/EFE
Frederik Von Erichsen/EFE

Líderes evitam ligar crime a referendo

Presidente da França e chanceler alemã deixam de lado campanha pela permanência da Grã-Bretanha na UE após assassinato de deputada

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS

17 Junho 2016 | 05h00

Mobilizados contra a saída da Grã-Bretanha da União Europeia (UE), líderes de França, Alemanha e EUA condenaram o assassinato da deputada britânica Jo Cox, pró-Europa. Realizadas em tom solene, as declarações foram neutras e evitaram usar o crime em favor da campanha pelo “Remain” (“Permanecer”), mesmo diante das dificuldades nas últimas pesquisas de opinião. 

O anúncio da tentativa de assassinado de Jo já havia provocado uma onda de choque nas principais capitais europeias, como Paris, Berlim e Bruxelas. Horas depois, a confirmação da morte da parlamentar reforçou o desconforto das autoridades em relação ao plebiscito. A votação não era desejada por líderes como o presidente da França, François Hollande, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, mas era um desejo do primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron. Com o aumento do risco de vitória do “Leave” (“Deixar”) no plebiscito marcado para o dia 23, o mal-estar vem crescendo na UE. 

Mas, diante do crime, os líderes políticos europeus optaram por uma posição sóbria. Em nome de Hollande, o Palácio do Eliseu publicou nota manifestando a “profunda emoção” do presidente. “Ao povo britânico, chocado por essa notícia, ele (Hollande) reitera sua total solidariedade”, afirma o texto. Para o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, o “ideal democrático foi atacado”. 

Em Berlim, Merkel pediu o “urgente esclarecimento” das circunstâncias do crime. “Não quero de nenhum modo ligar o que ocorreu ao plebiscito sobre a permanência da Grã-Bretanha na UE”, afirmou.

Em visita à Dinamarca, o secretário de Estado americano, John Kerry, que já fez campanha pela manutenção dos vínculos atuais entre Londres e Bruxelas, lamentou a perda de uma líder política com “um talento imenso”. “É um ataque contra todos aqueles para quem a democracia importa e nela acreditam”, afirmou o americano, em pronunciamento ao lado do primeiro-ministro dinamarquês, Lars Rasmussen.

As últimas pesquisas de opinião na Grã-Bretanha indicam a consolidação da tendência de vitória do “Leave”. Nas duas últimas sondagens publicadas ontem pelos institutos Ipsos Mori e Survation, a tendência é similar. O primeiro indica 53% dos britânicos favoráveis ao Brexit, enquanto o segundo mostra 52%

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