REUTERS/Mykhailo Palinchak
REUTERS/Mykhailo Palinchak

Líderes expressam ceticismo sobre acordo para cessar-fogo na Ucrânia

Texto prevê retirada de armas pesadas do leste ucraniano; Putin pede reforma constitucional para garantir mais autonomia a Luhansk e Donetsk

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2015 | 02h00

Líderes de Rússia, Ucrânia, França e Alemanha chegaram a um acordo para um novo cessar-fogo a partir de domingo no leste ucraniano. O anúncio foi feito ontem, em Minsk, na Bielo-Rússia, após uma noite de negociações. Segundo o presidente russo, Vladimir Putin, porém, trata-se de um entendimento "sobre o essencial". Para ele, uma "solução global" para a crise, que já deixou 5,4 mil mortos em nove meses, ainda é incerta.

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, também demonstrou dúvidas após o anúncio do acordo. De acordo com ele, a implementação do cessar-fogo será "difícil".

A reunião de cúpula começou às 18h30 da quarta-feira, no horário local, e chegou ao fim por volta das 12h de ontem, quando Putin fez a primeira declaração a respeito. "Conseguimos chegar a um acordo sobre o essencial", afirmou o chefe de Estado russo.

O consenso diz respeito em especial à retirada de armas pesadas da região de Donbass, em que estão situadas as cidades de Donetsk e Luhansk.

De acordo com a agência russa Sputnik, dois dias depois do início do cessar-fogo, começará a retirada de armas pesadas das "linhas de contato" em Donbass, como havia sido definido, mas não cumprido, no primeiro Tratado de Minsk, assinado em 5 de setembro. Em paralelo, deve haver troca de prisioneiros.

Putin acusou o governo de Kiev de retardar as negociações ao não aceitar contato com os líderes separatistas das "repúblicas populares de Donetsk e Luhansk". Segundo o russo, a Ucrânia também se comprometerá a reformas estruturais, ampliando a autonomia da região separatista. "Há várias condições e posições no acordo político. A primeira é uma reforma constitucional que leve em consideração o direito legal da população de Donbass", afirmou Putin.

Poroshenko também confirmou que todas as partes envolvidas no chamado Grupo de Contato, que inclui o governo da Bielo-Rússia, representantes da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e os separatistas do leste ucraniano, assinaram o documento. "O Grupo de Contato assinou o documento que nós preparamos com uma grande tensão", disse o líder ucraniano, referindo-se às mais de 16 horas de negociações.

Poroshenko ressaltou ainda que o novo acordo não altera a soberania da Ucrânia sobre a região de Donbass. No texto do tratado, há menção sobre o tema: "as partes reafirmam o pleno respeito à soberania e à integridade territorial da Ucrânia".

O governo dos EUA saudou o acordo, apesar de também fazer ressalvas e demonstrar ceticismo quanto ao cumprimento integral dos termos.

O secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou que "os dois lados ainda têm um longo caminho a percorrer" até que a paz seja restaurada no leste ucraniano.

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