Líderes hispânicos cobram Partido Republicano por discurso de Trump

Dirigentes hispânicos advertiram ao Partido Republicano que suas aspirações de chegar à Casa Branca sofrerão as consequências se seus pré-candidatos não condenarem categoricamente Donald Trump por seus cometários xenófobos sobre os mexicanos.

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2015 | 02h03

O magnata do mundo imobiliário está no centro de uma polêmica nos EUA depois que qualificou os imigrantes mexicanos de "estupradores" e "narcotraficantes" no discurso em que declarou sua intenção de disputar a presidência. Desde então, as declarações têm sido uma dor de cabeça para o partido, que tem investido tempo e recursos para tentar conquistar a comunidade hispânica.

No entanto, vários dos pré-candidatos republicanos têm evitado o tema ou quando o mencionam, não é para criticar Trump como gostariam os hispânicos.

"Chegou a hora de os candidatos se desligarem de Trump e qualificarem suas declarações como elas merecem: ridículas, infundadas e insultantes", disse o republicano Alfonso Aguilar, que lidera a Sociedade Latina do Projeto de Princípios dos EUA. "Lamentavelmente, prejudica os eleitores hispânicos do partido. É um nível de idiotice como há muito não se via."

Em seu discurso no mês passado, ao anunciar sua intenção de disputar as prévias do Partido Republicano, Trump disse que os imigrantes mexicanos "trazem drogas, crimes, são estupradores. Alguns, acredito, são boas pessoas".

A retórica ressoa entre alguns dos militantes mais ferrenhos da legenda que por anos têm considerado a imigração ilegal um dos problemas mais sérios do país.

Por outro lado, as consequências políticas e práticas das declarações de Trump têm se intensificado. Ele já perdeu várias parcerias no mundo corporativo, com redes de TV como a NBC e a Univisión, que romperam com o magnata.

Mesmo assim, a reação de pré-candidatos republicanos tem sido muito menos agressiva. O senador de ultra direita do Texas Ted Cruz, que é hispânico, de origem cubana, disse à Fox News que Trump não deveria se desculpar. "Eu gosto do Donald Trump", afirmou. "Eu o acho fantástico, atrevido. Acredito que ele diz a verdade."

O ex-governador da Flórida Jeb Bush, cuja mulher nasceu no México, se limitou a dizer que Trump "se equivocou".

Outro de origem cubana, o senador Marco Rubio, evitou por semanas se referir de forma direta às declarações de Trump. Na quinta-feira, ele divulgou um comunicado dizendo que "as declarações de Trump, apesar de insultantes e errôneas, são divisionistas". "Nosso próximo presidente deve ser alguém que una os americanos, não alguém que os divida."

Trump vinha reforçando seus comentários, mas na quinta-feira, em mensagem a seus partidários, disse que eles foram "distorcidos" para "parecerem racistas". / AP

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