Líderes islâmicos condenam assassinato do "Khomeini do Iraque"

Líderes xiitas e políticos iraquianos e estrangeiros se apressaram a atribuir a seguidores do deposto presidente Saddam Hussein o assassinato nesta sexta-feira do aiatolá Mohammed Baqir al-Hakim. Alguns deles também acusaram os EUA por não darem proteção ao alto clérigo xiita que, ao retornar de seu exílio no Irã após a derrubada de Saddam, foi aclamado como a versão iraquiana do aiatolá Ruhollah Khomeini, o líder da Revolução Islâmica iraniana de 1979. Al-Hakim foi morto na explosão de um carro-bomba na cidade sagrada de Najaf, no centro-sul do Iraque. No atentado, além do aiatolá, morreram, segundo as últimas cifras divulgadas pelo serviço de saúde local, pelo menos outras 90 pessoas. Em meio aos comentários de que a morte de Al-Hakim, de 64 anos, complica ainda mais a luta pelo poder no Iraque atual - onde a agitação política e um amplo descontentamento com a ocupação liderada pelos EUA já se tornou a regra -, Mohsen Hakim, um sobrinho do aiatolá, tambeém criticou os EUA. Falando de Teerã, o sobrinho do falecido clérigo disse que ?a responsabilidade de garantir a segurança no Iraque continua com as forças de ocupação. Infelizmente, não houve progresso no estabelecimento desta segurança?. Mohsen Hakim também considerou os seguidores de Saddam como ?os principais suspeitos? pelo atentado. No Líbano, que tem uma substancial população xiita, Gibran Tueni, o diretor do principal jornal do país, o An-Nahar, disse que o assassinato de Al-Hakim pode ?enfraquecer a situação interna do Iraque?.Para Tueni, o assassinato de Al-Hakim pode dever-se a uma luta pelo poder de xiitas à procura de maior controle sobre o Iraque na era pós-Saddam ou por simpatizantes do antigo regime buscando ?criar um clima de confusão e instabilidade?. ?Esta é uma notícia muito ruim?, disse em Bruxelas o porta-voz da União Européia, Diego Ojeda, que reiterou o apelo europeu em favor da restauração da ordem no país árabe, ?o mais rápido possível?. E o chanceler italiano, Franco Frattini, disse que o atentado de hoje mostra a necessidade de um maior envolvimento das Nações Unidas no Iraque.

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