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Líderes israelenses estão cautelosos sobre intervenção dos EUA na Síria

Netanyahu recomendou silêncio a políticos, que devem agir de 'forma responsável'

AE, Agência Estado

02 Setembro 2013 | 17h57

Por trás de um muro de silêncio oficial, Israel está sinalizando que espera uma ação dos Estados Unidos em relação à Síria, temendo que a falta de resposta possa atingir a credibilidade dos americanos na região.

Por outro lado, no entanto, Israel parece ter pouco interesse em ver o presidente sírio, Bashar Assad, ser substituído. Em teoria, é preferível um inimigo familiar do que os candidatos a comandar a Síria, especialmente islamitas extremistas que estão cada vez mais poderosos entre os rebeldes.

As forças contraditórias colocaram Israel em uma posição delicada no momento em que os EUA planejam uma ação militar na região. Em público, líderes israelenses disseram quase nada sobre como o presidente americano, Barack Obama, está lidando com a crise na Síria. Entretanto, após a decisão do final de semana de adiar uma ação militar em busca de apoio do Congresso, os sinais de confusão e consternação se tornaram mais evidentes.

Líderes israelenses estão cautelosos ao expressar seus pensamentos sobre o que os EUA devem fazer, temendo criar qualquer percepção de que estão se intrometendo tanto na política americana quanto em uma guerra civil na vizinha Síria.

No domingo, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu repreendeu um integrante de seu gabinete de ministros que criticou publicamente Obama.

Em uma entrevista no rádio, o ministro de Habitação, Uri Ariel, comparou a cautela dos americanos à inércia do Ocidente durante o Holocausto. Ariel também afirmou que a lentidão dos americanos envia uma mensagem aos terroristas e a governos hostis de que não existe preço a pagar pelo uso de armas não convencionais.

Netanyahu mandou que seu Gabinete mantivesse suas opiniões para si mesmo, reforçando a necessidade de se comportar "de forma responsável" em um momento crítico como esse.

Na reunião da semana passada com o ministro francês de Relações Exteriores em visita ao país, Netanyahu pediu uma reposta forte à Síria, dizendo que a reação do mundo ao uso de armas químicas poderia complicar a maneira como a comunidade internacional está lidando com o programa nuclear do Irã.

Israel, em conjunto com vários outros países do Ocidente, acredita que o Irã possui armas nucleares e Netanyahu mostrou repetidamente sua preocupação de que a pressão internacional não seja suficiente para conter o programa nuclear de Teerã. "O regime de Assad se tornou um cliente iraniano e a Síria, a plataforma de testes do Irã em terra", afirmou Netanyahu. "Agora, o mundo todo está de olho. O Irã está de olho e quer ver o que seria uma reação ao uso de armas químicas."

Por essa razão, muitos israelenses reagiram com desapontamento após Obama anunciar durante o final de semana que buscaria o voto do Congresso antes de usar força contra Assad.

Também existe a preocupação de que Assad possa um dia usar armas químicas sobre Israel. Centros de distribuição de máscaras de gás ficaram cheios de pessoas em busca de kits de proteção. "Se ele usou armas químicas contra seu próprio povo, ele não terá problemas em usá-la contra outros", afirmou o pesquisado Oded Eran, do Instituto para Estudos de Segurança Nacional.

O deputado israelense Nachman Shai afirmou que a credibilidade americana está em jogo desde que Obama considerou o uso de armas químicas pela Síria uma "linha vermelha" que não poderia ser ultrapassada.

Se Israel tivesse garantias de que Assad seria substituído por um governo estável que controlasse inteiramente o território e os vários grupos operando dentro dele, talvez se inclinasse a preferir sua saída, afirmou Eran.

"É difícil identificar quem são os bons e quem são os maus. Provavelmente todos são maus", afirmou Shai. "O interesse de Israel é que ninguém ataque suas fronteiras e que não sejamos envolvidos de forma alguma."

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