Líderes mundiais ampliam diplomacia para pôr fim à crise no Oriente Médio

A crise envolvendo Israel e militantes do Hezbollah que já deixou centenas de libaneses e mais de duas dezenas de israelenses mortos passou por uma reviravolta diplomática nesta segunda-feira, com o envio de um representante da Organização das Nações Unidas (ONU) à Israel e um pedido da Grã-Bretanha para que tropas internacionais sejam despachadas para o sul do Líbano. Paralelamente, o Irã pediu um cessar-fogo e a troca de soldados israelenses capturados pelo Hezbollah por prisioneiros árabes detidos em Israel, enquanto o primeiro-ministro do Estado Judeu, Ehud Olmert, voltou atrás em suas demandas, condicionando o fim dos ataques contra o Líbano à libertação dos soldados e a saída dos guerrilheiros libaneses da fronteira com Israel. A ampliação dos esforços diplomáticos são o primeiro movimento em direção a um possível desfecho para a crise, que começou na última quarta-feira depois que guerrilheiros do Hezbollah mataram oito e capturaram dois soldados israelenses em território de Israel. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e outros líderes mundiais vinham sendo criticados pela falta de ação para conter a violência.Mas nesta segunda-feira, o primeiro-ministro israelense, Tony Blair, e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, pediram o envio de forças militares internacionais ao sul Líbano para barrar as investidas da guerrilha Hezbollah contra Israel. A União Européia já considera o envio de tropas para a região."A verdade é que essa escalada de violência não vai parar a não ser que criemos condições para ela pare", disse Blair, após uma reunião com Annan ao final do encontro do Grupo dos Oito em São Petersburgo. "E a única maneira seria enviarmos uma força internacional que possa parar o lançamento de mísseis contra Israel, o que irá dar uma razão para que Israel cesse seus ataques contra o Líbano", continuou Blair, referindo-se a criação de uma zona tampão entre o sul do Líbano e o norte de Israel.Para que isso aconteça, sugeriu Blair, é necessário que haja um cessar-fogo por parte de Israel antes do envio das forças internacionais. "A força não poderá operar em uma situação em que as hostilidades continuem", disse o premier.Rússia, Alemanha e Itália, por sua vez, mantiveram cautela em endossar o envio de tropas para a região. Segundo o presidente russo, Vladmir Putin, Moscou só decidirá se enviará soldados para a região depois que o Conselho de Segurança da ONU endosse a proposta. A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que o envio de tropas não está na agenda do governo, enquanto premier italiano, Romano Prodi, alegou que se país está pronto para contribuir com uma força internacional se houver um mandato do Conselho de Segurança para tanto.Para o embaixador dos Estados Unidos na ONU, no entanto, o conselho de Segurança (órgão que autoriza o envio das tropas) só deve decidir que atitude tomar depois que o enviado da ONU ao Oriente Médio retorne para Nova York, no final desta semana.O enviado Vijay Nambiar, por sua vez, expressou otimismo em relação aos esforços para conter a crise, e disse que irá à Israel com "idéias concretas" sobre como por um fim aos confrontos."Já fizemos alguns esforços iniciais", destacou Nambiar, conselheiro político especial de Annan, durante conversa com repórteres em Beirute. Outros líderesTambém no Líbano, o primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, pediu um cessar-fogo à Israel e ao Hezbollah e propôs o envio de observadores internacionais ao sul do Líbano. Villepin - a autoridade de maior escalão que visitou o país desde o início da crise - sublinhou, no entanto, que um fim para o pior conflito entre o Hezbollah e Israel em 24 anos depende da liberação dos soldados israelenses capturados na semana passada.Bush, por sua vez, defendeu Israel durante todo o conflito, e se recusou a pedir um cessar-fogo. Alguns líderes de outros países, no entanto, não hesitaram em dizer que Israel foi longe demais. Ainda assim, em uma conversa reservada com Tony Blair gravada por engano, o presidente americano confirmou que sua enviada à região será a secretária de Estado Condoleezza Rice.Apesar da reviravolta diplomática, um importante diplomata árabe no Cairo, falando em condição de anonimato, fez um alerta contra uma onda de otimismo excessivo. "Cabe a Israel decidir o que fazer", disse.Segundo assessores próximos a Olmert, o primeiro-ministro israelense já se disse contrário ao envio de tropas internacionais à região. O porta-voz do premier, Asaf Shariv, disse mais cedo nesta segunda-feira que Israel insistirá na liberação dos soldados e na retirada dos guerrilheiros do Hezbollah da fronteira de Israel. O anúncio deixou claro que o governo judeu desistiu de suas demandas para que toda guerrilha seja desmantelada."Tragam (os soldados) de volta e tirem o Hezbollah do sul do Líbano que estaremos satisfeitos. Não atiraremos mais uma bomba ou bala se quer", disse Shariv.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.