Líderes mundiais apelam por segurança de Arafat

Enquanto as tropas israelenses mantinham neste domingo o cerco a Yasser Arafat, dirigentes mundiais aumentaram a pressão sobre Israel para que não faça nada contra o líder palestino, alertando que a continuação da ocupação do QG da Autoridade Palestina em Ramallah pode conduzir a conseqüências catastróficas. Líderes de China, Rússia, França, Alemanha, Grécia, Japão e de Estados árabes - muitos deles em contatos telefônicos - exortaram o governo israelense a conter-se. A Espanha, falando em nome da União Européia (da qual é presidente de turno), pediu que Israel retire suas tropas dos territórios palestinos. Os Estados Unidos não se uniram a esses apelos hoje, mas condenaram o atentado em Haifa, que causou a morte de 15 pessoas além do suicida, e voltaram a exortar Arafat a fazer algo para impedir tais ataques. O deputado democrata norte-americano Joseph Lieberman - que foi candidato a vice-presidente na chapa de Al Gore - defendeu a ida do secretário norte-americano de Estado, Colin Powell, à região. "Com todo respeito ao general Anthony Zinni (o mediador enviado pelos EUA), acho que é hora de o presidente pedir que o secretário Powell, que tem maior respaldo no mundo, vá para o Oriente Médio." Os apelos foram feitos um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU ter aprovado uma resolução exortando Israel a retirar suas tropas das cidades palestinas, condenando os atos de terror e destruição, e instando os dois lados a cooperarem com os esforços de Zinni para um cessar-fogo. Os governos da Alemanha e da França destacaram que a segurança de Arafat é primordial. O da Turquia, aliada militar israelense, pediu que Israel ponha fim às ameaças ao líder palestino. "O governo pede urgentemente ao lado israelense garantias de que nada será feito contra o presidente Arafat", declarou Joschka Fischer, ministro de Relações Exteriores da Alemanha, país que mantém excelentes relações com Israel. A França chamou o embaixador de Israel à chancelaria para transmitir mensagem pedindo a imediata remoção do bloqueio ao QG de Arafat. O rei do Marrocos, Mohammed, telefonou ao primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, para pedir o fim da ação militar nos territórios. Foi o primeiro dirigente de uma nação árabe a ligar para Sharon depois da cúpula da Liga Árabe, que na quinta-feira propôs um plano de paz a Israel. As autoridades de Jordânia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos também fizeram apelos. O príncipe herdeiro saudita, Abdullah bin Abdelaziz, fez contatos com a Casa Branca para manifestar sua apreensão. "Não surpreende que um homem como Sharon, com seu passado conhecido, tente fazer mal a Arafat e a nossos irmãos palestinos", disse Abdullah. O governo da Jordânia chamou à chancelaria o embaixador israelense em Amã para informar-lhe que, se as tropas não forem retiradas imediatamente, "haverá sérias conseqüências". Jordânia e Egito são os únicos países árabes que têm relações com Israel. Ainda neste domingo, houve novas manifestações pró-palestinos nas principais capitais do mundo árabe. Ocorreram protestos no Egito, Jordânia, Líbano, Mauritânia, Omã, Sudão e Síria, entre outros países.

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