Líderes mundiais debatem crise na Síria em conferência

Representantes de vários países reuniram-se neste domingo na Turquia para tentar estabelecer as condições de uma nova Síria, pressionando pela aplicação de sanções mais rígidas e aumento da pressão diplomática para isolar o presidente Bashar Assad. Ao mesmo tempo, os líderes pedem que a oposição síria ofereça uma alternativa democrática a seu regime.

CYNTHIA DECLOEDT, Agência Estado

01 de abril de 2012 | 10h33

A conferência "Amigos do Povo Sírio", que acontece em Istambul, não conta com a presença da China, da Rússia e do Irã, principais aliados de Assad e que discordam do Ocidente e dos aliados árabes sobre como parar o conflito interno no país. Um plano de paz apresentado ao regime sírio pelo enviado das Nações Unidos - Liga Árabe, Kofi Annan, não obteve sucesso até o momento, uma vez que as notícias de confrontos violentos continuam emergindo. "O regime sírio não deveria ser autorizado a manipular este plano para ganhar tempo", disse o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, ao dar início à conferência.

Erdogan também indicou que as opções militares podem ter de ser consideradas e que o Conselho de Segurança das Nações Unidas não consegue se unir para fazer oposição a Assad. Ele referiu-se aos vetos da China e da Rússia na censura de Assad pelas Nações Unidas. Ambos países temem que as medidas levem à intervenção militar estrangeira no país. "Se o Conselho de Segurança das Nações Unidas falhar novamente na sua responsabilidade histórica, não haverá outra escolha a não ser dar apoio ao direito do povo sírio de se defender", afirmou Erdogan.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, também expressou ceticismo quanto à adesão do governo sírio ao plano de paz de Kofi Annan, que pede cessar-fogo imediato e o início de um processo de negociação liderada pela Síria. "Quase uma semana se passou e temos de concluir que o regime está aumentando sua lista de promessas não cumpridas", disse Hillary. "O mundo deve julgar Assad pelo que ele faz, não pelo que ele diz. E não podemos nos sentar e esperar mais", acrescentou.

Clinton pediu união em torno do plano que inclui mais sanções contra o país, ajuda humanitária, apoio à oposição e a promessa de justiça as pessoas do regime envolvidas em atrocidades. Ela disse que os Estados Unidos estão oferecendo equipamentos de comunicação para ajudar os membros da oposição síria a se organizarem, manterem contato com o mundo e escaparem de ataques do regime.

O líder de oposição do Conselho Nacional Sírio, Burhan Ghalioun, pediu o fortalecimento das forças rebeldes sírias e dos "corredores de segurança" dentro da Síria, uma referência a zonas internacionalmente protegidas dentro do território sírio, o que facilitaria a entrega de ajuda aos civis. Mas os representantes presentes no encontro em Istambul não conseguiram chegar a um consenso sobre tal intervenção, que envolveria uma arriscada presença de forças de segurança estrangeira.

"Não se deveria permitir que esse regime sentisse facilidade ou forte ao oferecer-lhe mais tempo de manobra", disse Ghalioun, em razão de temores de que Assad tente usar o plano de Annan para prolongar seu regime. "Já basta o fato de a comunidade internacional ter flertado com o regime sírio. Algo tem de mudar", afirmou. Ele disse que o conselho prefere que a comunidade internacional ofereça equipamentos técnicos, para que os rebeldes possam se organizar, e não armas, as quais poderiam aumentar no número de mortes entre os civis. As informações são da Associated Press.

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