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Líderes mundiais estão aliviados com morte de Zarqawi, mas luta não acabou

Líderes mundiais e especialistas em "terrorismo" qualificaram a morte do extremista jordaniano Abu Musab al-Zarqawi como um duro golpe contra a rede Al-Qaeda, mas alertaram que a estrutura da organização permitirá que seus sucessores continuem com a violenta campanha do grupo no Iraque.A morte do líder extremista em um bombardeio promovido pelos Estados Unidos na noite de quarta-feira no Iraque provocou alívio no geral, mas praticamente todos os líderes e especialistas foram cautelosos com relação às conseqüências do episódio."Isso é grande demais. Todo mundo sabe que não acabou, mas isso (a morte de Zarqawi) é um acontecimento muito importante", comentou o porta-voz do Comando Central dos EUA, capitão Frank Pascual. "A guerra ao terror não acaba hoje. O conflito e os distúrbios persistirão. Nesse episódio, porém, foi cortada a cabeça de uma organização nociva", acredita ele.O Afeganistão, que até poucos anos atrás abrigava o milionário saudita no exílio Osama bin Laden e campo de treinamento de sua rede extremista Al-Qaeda, elogiou o bombardeio americano.Ameaça ao mundo"A Al-Qaeda é a maior ameaça ao mundo. A morte de Zarqawi é uma grande vitória nessa guerra", disse o general Zahir Azimi, porta-voz do Ministério da Defesa do Afeganistão, atual aliado dos EUA.Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair - mentores da invasão do Iraque em busca de armas de destruição em massa que nunca vieram a ser encontradas -, amenizaram o tom suas declarações de satisfação com alertas de que a guerra está longe do fim. "Teremos pela frente dias difíceis no Iraque, o que exigirá mais paciência do povo americano", afirmou Bush.O primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, qualificou o episódio como "um passo à frente" e o vice-chanceler japonês Katsutoshi Kaneda manifestou a esperança de que o desdobramento resulte em um novo período de estabilidade.Visão estratégica Apesar de diversos assessores de Zarqawi continuarem à solta, especialistas em "terrorismo" como o professor de estudos em defesa no King´s College, de Londres, Michael Clarke, opinaram que a perda da visão estratégica de Zarqawi tornaria sua morte mais significativa do que a do próprio Bin Laden.Segundo Clarke, Bin Laden não cuidaria muito da parte estratégica. "Já Zarqawi é um estrategista de campo. Ele lidera no front, tanto em termos de bravura quanto de crueldade", especulou.Outros especialistas disseram ter certeza de que os rebeldes iraquianos, especialmente os sunitas liderados por Zarqawi, já esperavam por esse dia.Um analista militar iraquiano do Centro de Pesquisa do Golfo Pérsico, Mustafa Alani disse acreditar que a Al-Qaeda no Iraque provavelmente sobreviverá à perda de Zarqawi e de alguns de seus assessores."Não devemos exagerar o valor desse ataque. Não há dúvidas de que se trata de uma vitória moral que afetará a força e as operações do grupo no Iraque. Mas organizações como a Al-Qaeda no Iraque sempre se preparam com antecedência para o dia em que seus líderes forem mortos ou presos. Sempre há alguém pronto para substituí-los", explicou.Na Jordânia, o irmão mais velho de Zarqawi, Sayel al-Khalayleh, disse que sua família já estava preparada para a morte de seu irmão. "Nós já havíamos previsto que ele se tornaria um mártir. Esperamos que ele una-se a outros mártires no céu", afirmou.

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