AP Photo/Patrick Semansky
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No exterior, Trump recebe solidariedade e ataques

Aliados desejam recuperação, França diz que ‘vírus não poupa ninguém’ e jornal chinês afirma que presidente paga por minimizar doença

Renato Vasconcelos, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2020 | 08h47
Atualizado 02 de outubro de 2020 | 23h14

WASHINGTON - O diagnóstico positivo de Donald Trump e a primeira-dama Melania para covid-19 desencadeou uma onda global de reações, que foram desde votos de boa recuperação até ataques ao presidente, que rotineiramente minimiza a ameaça do vírus que matou mais de 1 milhão de pessoas em todo o mundo neste ano.

 O próprio presidente revelou o diagnóstico na madrugada desta sexta-feira, 2. O anúncio foi feito através do Twitter, e rapidamente se transformou em um dos assuntos mais comentados no mundo. As implicações da contaminação de Trump na corrida presidencial, contudo, ainda não estão claras.

Aliados de Trump, como o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, tuitaram mensagens de apoio. “Como milhões de israelenses, Sara e eu estamos pensando no presidente Donald Trump e na primeira-dama Melania Trump e desejamos aos nossos amigos uma recuperação completa e rápida”, tuitou Netanyahu.

Primeiro-ministro do Reino Unido e aliado de Trump no plano internacional, Boris Johnson usou as redes sociais para desejar uma rápida recuperação ao presidente. Johnson foi o primeiro líder mundial entre as principais economias do planeta a contrair o vírus e precisou de atendimento hospitalar.

Um dos principais opositores de Trump, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, enviou uma mensagem ao presidente americano, também desejando uma rápida recuperação. "Tenho certeza de que sua vitalidade, vigor e otimismo inerentes o ajudarão a superar o vírus perigoso", escreveu. O Kremlin disse esta semana que Putin planeja ser vacinado contra o coronavírus com uma vacina experimental russa em breve.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sissi, também enviaram mensagens de encorajamento ao casal.

O chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, enviou ao presidente “melhores votos”, apesar de Trump acusar o organismo de “administrar mal” a pandemia de coronavírus. No início do ano, Trump anunciou que planejava cortar permanentemente o financiamento dos EUA à OMS, descrevendo a resposta deles à crise como sendo muito “centrada na China.”

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, também desejou melhoras ao presidente e à primeira-dama, e pontuou que a luta contra a covid-19 continua, diariamente.

O porta-voz do governo francês, Gabriel Attal, por sua vez, adotou um tom mais crítico. Ele desejou ao presidente uma “rápida recuperação”, enquanto falava no canal de TV francês LCI, mas também chamou o resultado positivo do teste de Trump “um sinal de que o vírus não poupa ninguém, incluindo aqueles que são os mais céticos sobre sua realidade e gravidade”.

Há quem tenha sido mais irônico: “Senhor presidente, sugiro que você não tente se tratar com alvejante”, tuitou Radoslaw Sikorski, membro do Parlamento Europeu e ex-ministro das Relações Exteriores da Polônia, referindo-se às sugestões de Trump de que desinfetante poderiam servir como um possível tratamento para o vírus.

“O presidente Trump e a primeira-dama pagaram o preço de sua aposta em minimizar o covid-19”, tuitou Hu Xijin, editor-chefe do Global Times, um jornal controlado pelo Partido Comunista Chinês. Trump atacou repetidamente a China pela forma como o país teria se equivocado ao lidar com a pandemia, que surgiu pela primeira vez na cidade de Wuhan no ano passado. A China hoje tem o vírus controlado e os EUA lideram os casos de contágios e mortes no mundo.

“Ninguém está imune à covid-19”, tuitou o Escritório das Nações Unidas para a redução do risco de desastres, ontem, em resposta ao teste positivo de Trump.

Manifestações dos democratas

Lideranças do Partido Democrata, como o candidato à presidência dos EUA, Joe Biden, também se solidarizaram com o presidente. Em sua conta no Twitter, Biden desejou melhoras a Trump e Melania. "Jill e eu enviamos nossos pensamentos ao presidente Trump e à primeira-dama Melania Trump para uma rápida recuperação. Continuaremos orando pela saúde e segurança do presidente e de sua família", escreveu Biden.

Como ambos estiveram em contato com o presidente no debate eleitoral, Biden e sua mulher, Jill, vão fazer o teste para saber se estão com covid-19 na manhã desta sexta-feira.

Sensação na largada da campanha Democrata - chegando a liderar a corrida do partido após o caucus de Iowa - Pete Buttigieg publicou uma mensagem em sua rede social. "Desejando ao presidente Trump e à primeira-dama uma completa e rápida recuperação".

Também pré-candidata e deputada pelo Estado do Havaí, Tulsi Gabbard também enviou sua mensagem ao presidente. "Meu marido, Abraham, e eu oferecemos nossos melhores votos e aloha ao Presidente Donald Trump e à Primeira-dama Melania Trump e oramos por sua rápida recuperação. Também enviamos nossos melhores votos a Ivanka, Tiffany, Donald Trump Jr., Eric e Barron durante este período difícil. #TrumpHasCovid."

História repetida

Trump se juntou a uma lista crescente de líderes mundiais que adoeceram com o vírus. 

Johnson, que inicialmente minimizou a ameaça da pandemia, reverteu o curso após sobreviver à doença – após sair do hospital ele disse que havia escapado da morte. 

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, também teve diagnóstico positivo para o vírus em julho, mas teve um caso muito mais brando. Ele se referiu ao vírus como “uma gripezinha” e continua a minimizar a necessidade de máscaras para reduzir a transmissão, mesmo com os casos crescendo exponencialmente no Brasil, terceiro país em casos e segundo em mortes em todo o mundo. Até ontem à tarde, Bolsonaro não havia oferecido nenhuma mensagem pública de apoio a Trump.

O ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, que tem 84 anos e passou dez dias no hospital lutando contra a doença no mês passado, disse em comunicado após o diagnóstico de Trump que a doença “pode ser superada com ações apropriadas e 

corajosas”. 

Após ter alta, Berlusconi chamou a experiência de “o desafio mais perigoso da minha vida” e exortou as pessoas a usarem máscaras. /Com Washington Post; Colaborou Fernanda Boldrin.

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