Jim Watson/ AFP
Jim Watson/ AFP

Líderes mundiais reagem com cautela à apuração presidencial nos EUA 

Diversos governos ao redor do mundo começaram a se manifestar; o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, foi direto e disse esperar que Trump vença

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2020 | 16h34

Diversos governos ao redor do mundo começaram a reagir às eleições presidenciais nos Estados Unidos, onde o democrata Joe Biden se aproxima de uma vitória classificada como fraude pelo atual presidente e candidato republicano Donald Trump.

"Uma situação explosiva" 

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, pediu às autoridades americanas que "confiem" no "processo eleitoral" em andamento. Maas, cujo país preside a União Europeia (UE) neste semestre, insistiu na necessidade de "mostrar paciência e esperar" o fim da apuração.

Pouco antes, a ministra alemã da Defesa, Annegret Kramp-Karrenbauer, havia manifestado sua preocupação com esta "situação muito explosiva" nos Estados Unidos, onde Trump se declarou o vencedor antes do final da contagem dos votos. 

A ministra alertou para os riscos de uma "crise constitucional" no país. "É algo que deve nos preocupar", acrescentou. 

Zero preocupação

A Grã-Bretanha insistiu, na quarta-feira, que seu relacionamento próximo com os Estados Unidos está garantido, não importa quem vença a eleição, mas destacou sua divergência com o governo Trump em relação à mudança climática.

"Os Estados Unidos são um aliado próximo e estamos convencidos de que nosso relacionamento será fortalecido independentemente do vencedor", disse um porta-voz do governo.

O primeiro-ministro Boris Johnson, um aliado de Trump, recusou-se a comentar no Parlamento, quando questionado sobre a declaração prematura de vitória do presidente dos EUA e sobre sua intenção de recorrer à Suprema Corte para defendê-la.

Já o ministro das Relações Exteriores, Dominic Raab, disse à Sky News que "não está preocupado com a relação" entre Londres e Washington.

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"Nova relação transatlântica"

Estados Unidos e União Europeia terão de construir uma "nova relação transatlântica", após as eleições presidenciais americanas, independentemente do resultado, disse o chanceler francês, Jean Yves Le Drian, sem optar por nenhum dos candidatos.

"A eleição de um presidente depende dos americanos. Teremos que trabalhar com o eleito e com a nova administração americana, aconteça o que acontecer", acrescentou.

"Que espetáculo"!

O supremo guia iraniano zombou, nesta quinta-feira (5), do "espetáculo" oferecido pela eleição presidencial dos Estados Unidos.

"É uma situação digna de se ver! Ele diz que são as eleições mais fraudulentas da história dos #EUA. Quem? O próprio presidente que está no comando agora!", disse o aiatolá Ali Khamenei em mensagem publicada em vários idiomas, incluindo espanhol, em sua conta no Twitter nesta madrugada.

"Seu rival (Joe Biden) diz que #Trump pretende fraudar as eleições. Isso são a democracia e as eleições nos Estados Unidos", acrescentou Khamenei, cujo país e os Estados Unidos são inimigos há mais de 40 anos. 

Parabéns antecipados para Trump 

O primeiro-ministro da Eslovênia, Janez Jansa, parabenizou Trump na quarta-feira, após ele se declarar vencedor das eleições presidenciais antes do final da contagem dos votos. 

"Parece claro que os americanos elegeram Donald Trump", disse no Twitter o chefe do governo, que lidera o partido anti-imigração SDS. 

Janez Jansa é, junto com seu homólogo e aliado húngaro, Viktor Orban, um dos líderes europeus que apoiaram a candidatura de Trump.

O primeiro-ministro esloveno disse no passado que o candidato democrata Joe Biden seria "o presidente mais fraco da história dos Estados Unidos".

"Espero que Trump ganhe"

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, foi direto e disse, abertamente na quarta-feira, esperar que Trump vença.

"Vocês conhecem a minha posição, é clara (...) tenho uma boa política com Trump, espero que ele seja reeleito, espero", disse o presidente de extrema direita fora de sua residência oficial, em Brasília, em conversa com seus seguidores.

Bolsonaro, que fez de seu alinhamento com Washington um pilar de sua diplomacia, foi apelidado de "Trump Tropical" e não esconde sua admiração por seu homólogo americano./AFP 

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