Líderes partidários no Senado impõem condições para ataque dos EUA à Síria

Representantes democrata e republicano apresentam modificação de proposta enviada por Obama

Cláudia Trevisan - CORRESPONDENTE - O Estado de S.Paulo,

03 Setembro 2013 | 22h41

WASHINGTON - Depois de audiência pública com representantes do governo, o Senado americano agiu nesta terça-feira para restringir os termos do pedido de autorização para um ataque à Síria enviado pelo presidente Barack Obama ao Congresso no sábado. Líderes partidários apresentaram uma versão que fixa um prazo de 60 dias, prorrogável por 30, para a operação. A proposta também proíbe a entrada de tropas americanas na Síria.

O texto foi apresentado pelo democrata e pelo republicano que dirigem o Comitê de Relações Exteriores, senadores Robert Menendez e o Bob Corker. A proposta original falava em "ação limitada" e vedava a entrada de tropas, mas não estabelecia prazos.

Durante a tarde, o secretário de Estado John Kerry havia declarado durante a discussão com senadores que o governo se dispunha a modificar o texto para atender às preocupações do Congresso e da população americana. O eventual ataque americano à Síria terá o objetivo de mandar uma mensagem "clara" não apenas ao regime de Bashar Assad, mas também ao Irã, à Coreia do Norte, ao Hezbollah, ao Hamas e a outros grupos terroristas que se opõem aos EUA, sustentaram representantes do governo Obama na primeira audiência pública do Senado sobre o pedido de autorização do presidente para lançar uma ação contra o país.

Segundo eles, a falta de resposta ao suposto uso de armas químicas por Assad será um estímulo às ambições nucleares de Pyongyang e de Teerã e representará uma ameaça direta à segurança dos EUA. "Não podemos permitir que o Hezbollah e qualquer grupo terrorista determinado a atacar os EUA tenham incentivos para usar armas químicas", declarou Kerry.

"Nossa recusa em agir debilitaria a credibilidade dos outros compromissos americanos de segurança, entre os quais o compromisso do presidente de impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear", completou o secretário de Defesa, Chuck Hagel.

Após dizer que seria "preferível" que a eventual resolução não proibisse a entrada de soldados americanos na Síria, Kerry recuou. "A autorização não contempla e não deveria ter qualquer permissão para tropas no terreno", declarou.

Os representantes do governo disseram que o eventual ataque será "limitado" no tempo e no seu escopo, que é retaliar o regime de Assad pelo uso de armas químicas que, segundo o serviço de inteligência dos EUA, deixou pelo menos 1.429 mortos no dia 21.

Hagel observou que a política de longo prazo de Obama continua a ter como alvo a saída de Assad do poder, mas que isso não será obtido por meio de uma intervenção. "Uma solução política criada pelo próprio povo sírio é o único caminho para acabar com a violência na Síria."

Os secretários indicaram que os EUA deverão ampliar seu apoio militar aos rebeldes moderados, que não possuem ligação com radicais islâmicos. Obama anunciou em junho que seu governo forneceria armas e treinamento a esses grupos de oposição, mas não está claro se a decisão foi implementada.

Levantamento da CNN indica que 67 dos 100 senadores ainda estão indecisos - os democratas são majoritários na Casa. Na Câmara, controlada pelos republicanos, 254 dos 435 parlamentares não definiram sua posição. Qualquer votação só ocorrerá depois do dia 9, quando acaba o recesso parlamentar.

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