Líderes pedem retomada das negociações na Ucrânia

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, conservou pelo telefone com líderes da Rússia, da Alemanha e da França nesta segunda-feira e discutiram uma forma para melhor resolver o violento conflito com separatistas pró-Rússia no leste ucraniano.

Agência Estado

30 de junho de 2014 | 15h32

O telefonema entre Poroshenko, o russo Vladimir Putin, a alemã Angela Merkel e o francês François Hollande aconteceu no dia em que acaba o cessar-fogo unilateral anunciado pelo presidente ucraniano.

Poroshenko já estendeu o cessar-fogo de sete para dez dias, como parte de seu plano para encerrar o conflito que já matou mais de 400 pessoas. A trégua tem sido continuamente desrespeitada e os rebeldes não baixaram suas armas como o líder ucraniano havia exigido.

O porta-voz de segurança nacional, Andriy Lysenko, disse que uma decisão sobre o assunto será anunciada antes do horário em que o cessar-fogo expira, às 22h (horário local, 16h em Brasília)

Os líderes europeus pediram à Rússia que use sua influência com os rebeldes para conter o conflito. Eles disseram que podem impor uma nova rodada de sanções econômicas contra a Rússia se as condições para o prolongamento do cessar-fogo não forem alcançadas.

Autoridades francesas disseram que durante as conversas foi discutido o estabelecimento de um cessar-fogo total dos dois lados, a presença de monitores internacionais na fronteiras entre Rússia e Ucrânia, a libertação de prisioneiros e a realização de negociações substanciais com os rebeldes separatistas.

O ministro de Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, disse que Putin sugeriu a Poroshenko que monitores ucranianos e observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) sejam enviados para postos de verificação do lado russo da fronteira para garantir que "eles não são usados de forma ilegal".

"Nós esperamos que consultas diretas e detalhadas entre guardas de fronteira da Rússia e da Ucrânia tenham início logo depois de um acordo sobre os detalhes da presença dos monitores", disse ele, segundo meios de comunicação russos. Comunicado do Kremlin diz que os ministros de Relações Exteriores dos quatro países discutirão a questão.

Confrontos esporádicos foram registrados nesta segunda-feira, apesar do cessar-fogo. Bombardeios mataram pelo menos duas pessoas e destruíram vários apartamentos na cidade de Slovyansk, dominada pelos rebeldes, na região de Donetsk.

Poroshenko exigiu que os rebeldes devolvam seus postos ao longo da fronteira com a Rússia para o controle ucraniano e permitam que monitores internacionais verifiquem o cessar-fogo. Os rebeldes sequestraram alguns grupos de monitores semanas atrás.

O líder rebelde Alexander Borodai saudou a possibilidade de envio de observadores para monitorar a situação na região, mas rejeitou a exigência de devolver os postos de verificação fronteiriços.

Poroshenko disse que seu cessar-fogo unilateral é o primeiro passo para dar aos rebeldes uma chance de baixarem suas armas. Outras medidas incluiriam a anistia para separatistas que não tiverem cometido crimes graves, eleições locais antecipadas e alterações a Constituição para descentralizar as regiões da Ucrânia. Fonte: Associated Press.

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