Lynsey Addario/The New York Times
Lynsey Addario/The New York Times

Líderes políticos lamentam morte de Shimon Peres

Binyamin Netanyahu afirmou que ex-premiê ‘nunca deixou de acreditar na paz’ e ensinou que ‘não se deve ceder ao desespero, mas se apegar à esperança’

O Estado de S. Paulo

28 de setembro de 2016 | 10h31

JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira, 28, que o ex-presidente israelense Shimon Peres, morto aos 93 anos, "nunca deixou de acreditar na paz" e que foi "um dos grandes líderes" do povo israelense.

"Junto a toda sua atividade pela segurança de Israel, Peres nunca deixou de remar em direção à paz e de crer na paz", afirmou em uma sessão de luto, na posse do Conselho de Ministros, horas depois da morte do ex-mandatário israelense e Nobel da Paz em um hospital perto da cidade de Tel-Aviv.

Netanyahu, um dois principais rivais políticos de Peres, reconheceu o "feito único" do ex-presidente e sua contribuição para a consolidação do Estado judeu ao longo de sete décadas, assim como sua vocação pela paz.

"Sua mão sempre estava estendida para uma reconciliação histórica com nossos vizinhos e embora esta reconciliação tenha sido desfeita, nunca deixou de nos ensinar que não se deve ceder ao desespero, mas se apegar à esperança", ressaltou.

O presidente dos EUA, Barack Obama, reiterou seu compromisso de fazer com que israelenses e palestinos alcancem um acordo de paz como "tributo" a seu "amigo" Shimon Peres. "Hoje à noite, eu não posso imaginar um tributo melhor para sua vida do que renovar nosso compromisso com a paz que ele acreditava ser possível", afirmou o líder americano em um comunicado.

"Talvez porque ele viu Israel superar obstáculos enormes, Shimon nunca renunciou à possibilidade de uma paz entre israelenses, palestinos e os vizinhos de Israel", disse Obama, que se mostrou "agradecido" de poder descrevê-lo como um "amigo".

O ex-presidente americano Bill Clinton, que supervisionou em 1993 a assinatura em Washington dos Acordos de Oslo entre israelenses e palestinos, elogiou Peres e o qualificou como um "gênio de grande coração, um fervoroso advogado da paz, da reconciliação e de um futuro no qual todos os filhos de Abraão construiriam um amanhã melhor".

O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair afirmou que “Shimon Peres era um gigante da política, um homem de Estado que continuará sendo considerado um dos maiores de nossa época e de todas as épocas".

Para o presidente francês, François Hollande, "Israel perde um de seus homens de Estado mais ilustres, a paz (perde) um de seus mais fervorosos defensores e a França, um amigo fiel".

A chanceler alemã, Angela Merkel, destacou os esforços de Peres para conseguir uma paz duradoura no Oriente Médio e sua convicção de que palestinos e israelenses podem viver em paz. "Estava profundamente convencido de que israelenses e palestinos podem conviver pacificamente", disse ela em um comunicado dirigido a Netanyahu.

"Sua visão de uma paz duradoura no Oriente Médio foi uma contribuição fundamental aos Acordos de Oslo, pelos quais Shimon Peres, junto com Yitzak Rabin e Yasser Arafat, recebeu o Prêmio Nobel da Paz", lembrou a chanceler.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também elogiou os esforços de Peres para alcançar uma solução ao conflito israelense-palestino com a coexistência de dois Estados. "Trabalhou incansavelmente para a solução de dois Estados que permitiria a Israel viver em segurança e harmonia com os palestinos e em toda a região", afirmou Ban.

Entidades. O Congresso Judaico Latinoamericano divulgou uma nota de pesar pela morte do ex-presidente israelense que diz que “Peres não ocupou apenas a cadeira da presidência, mas um lugar de quem quer derrubar barreiras e construir a paz”. A nota também diz que ele “sempre vislumbrou um Oriente Médio no qual Israel pudesse viver e conviver com seus vizinhos árabes e palestinos”.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) e a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), entidades que representam a comunidade judaica brasileira e paulista, disseram lamentar profundamente a morte de Shimon Peres. "Sua voz de moderação fará falta em um mundo cada vez mais radicalizado e intolerante."

A Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria também lamentou profundamente a morte de Peres. "Um líder visionário e inspirador, um homem cuja mente jovem perseguia a inovação e acreditava no poder das conquistas tecnológicas para atrair os jovens e chegar ao seu objetivo máxico: a paz entre os povos", afirmou, em nota. 

Palestinos. Um porta-voz do Hamas comemorou a morte de Peres e declarou que "o povo palestino está feliz pela morte deste criminoso". "Shimon Peres foi um dos últimos fundadores israelenses da ocupação, sua morte representa o fim de uma era na história da ocupação israelense", declarou Sami Abi Zuhri.

Até o momento, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, não se pronunciou oficialmente sobre a morte de Peres. Fontes ligadas ao líder palestino asseguram que ainda não se sabe se ele comparecerá ou não ao funeral em Jerusalém.

De acordo com as fontes, Abbas apreciaria receber um convite para o sepultamento por parte da família do ex-líder israelense, o homem com o qual participou das negociações dos Acordos de Oslo nos anos 1990. / EFE e AFP

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