REUTERS/John Vizcaino
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Líderes políticos pelo mundo se manifestam a respeito do resultado do plebiscito na Colômbia

População optou pelo “não” ao acordo de paz entre governo de Juan Manuel Santos e a guerrilha das Farc

O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2016 | 11h23

BOGOTÁ - Os colombianos rejeitaram no domingo o acordo de paz entre o governo de Juan Manuel Santos e a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) por 50,24% dos votos (6.400.516) contra 49,75% (6.338.473), que optaram pelo "sim". Agora Santos tem, segundo analistas ouvidos pela imprensa colombiana, seu maior desafio como estadista.

O presidente disse que com o resultado “se abre uma nova realidade política" que é uma "oportunidade" para o país. "Como chefe de Estado sou o fiador da estabilidade da nação, e esta decisão democrática não deve afetar dita estabilidade, que vou garantir", afirmou.

O líder colombiano destacou que, apesar do revés sofrido, como presidente conserva "intacta” sua "obrigação para manter a ordem pública e para buscar e negociar a paz". Ele também ressaltou que o cessar-fogo, que entrou em vigor no último dia 29 de agosto com as Farc, "segue vigente, e seguirá vigente". O presidente defendeu que "buscar pontos de encontro e de unidade é agora mais importante do que nunca".

O líder das Farc, Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como "Timochenko", afirmou que a organização mantém "sua vontade de paz" e “sua disposição de usar somente a palavra como arma de construção em direção ao futuro". "As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia lamentam profundamente que o poder destrutivo dos que semeiam ódio e rancor tenha influenciado na opinião da população colombiana", disse.

"Com o resultado de hoje (domingo), sabemos que nosso desafio como movimento político é ainda maior e nos requer mais fortes para construir a paz estável e duradoura”, destacou Timochenko. "Ao povo colombiano que sonha com a paz, que conte conosco. A paz triunfará", completou.

Veja abaixo: Colômbia vive momento de incerteza

O ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe - partidário e principal líder do “não” ao processo de paz - se declarou disposto a apresentar "um grande pacto nacional". "Nos parece fundamental que em nome da paz não se criem riscos aos valores que a tornam possível", afirmou ele para jornalistas. "Pedimos que não haja violência, que se dê proteção às Farc e que cessem todos os crimes, incluindo o narcotráfico e a extorsão", disse Uribe.

Diversos grupos, líderes políticos e organizações humanitárias pelo mundo se manifestaram a respeito do resultado. Veja abaixo as principais reações:

“Conhecidos os resultados do plebiscito no dia de hoje (domingo), faço um pedido a todos os colombianos para aceitarem os resultados e seguirem buscando a paz."

Ernesto Samper, ex-presidente da Colômbia

"Apesar dos resultados adversos para os acordos de Havana, os colombianos devem continuar lutando pela paz com transformações."

Exército de Libertação Nacional (ELN)

"Neste momento decisivo para a Colômbia, a Secretaria-Geral destaca o reconhecimento dos resultados expressado pelo presidente Juan Manuel Santos e outros atores políticos."

União de Nações Sul-Americanas (Unasul)

"É fundamental que o processo de paz chegue a todos os colombianos, incluindo aos 60% que não votaram. Apoiamos diálogo inclusivo. A Paz é obra de todos."

Luis Almagro, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) 

"Uma oportunidade perdida para que o país finalmente se afaste de sua trágica guerra de mais de 50 anos.”

Anistia Internacional

"Neste momento, respeitamos o voto dos colombianos, como também respeitaremos as decisões que sejam tomadas adiante."

Maja Kocijancic, porta-voz das Relações Exteriores da Comissão Europeia

"Acredito que a causa é que a Colômbia está muito polarizada. Muitos não querem que as Farc participem do processo político nem que seus líderes recebam penas menores." “Esperamos que se possa avançar a partir do acordo de paz, que é bom, continuar com o cessar-fogo e tentar encontrar soluções nos próximos dias."

Borge Brende, ministro das Relações Exteriores da Noruega

“O governo espanhol encoraja as partes a, por meio do diálogo, buscarem pontos de encontro e unidade que tornem realidade esse desejo compartilhado de paz."

Gabinete de Mariano Rajoy, primeiro-ministro da Espanha

"A França está agora mais que nunca ao lado das autoridades e do povo colombiano para dar todas as oportunidades à paz e ao reatamento do diálogo."

François Hollande, presidente da França

"Os responsáveis políticos estão em dívida com as vítimas e seus parentes para que a recém-concebida esperança de paz não volte a ser destruída. A violência, os assassinatos e os mortos não podem começar de novo, de nenhuma maneira." "O referendo foi perdido. Confio no entanto que seja possível que a paz ganhe."

Frank-Walter Steinmeier, ministro das Relações Exteriores da Alemanha

“Reiteramos nossa invariável postura a favor de uma solução política do conflito armado em Colômbia para o progresso social e econômico desta nação amiga da América Latina."

Chancelaria da Rússia

"O México faz votos de que a Colômbia continue explorando todas os caminhos possíveis para avançar de maneira unida rumo a um futuro de paz e prosperidade."

Secretaria de Relações Exteriores do México

“Convencido de que a paz é um caminho longo, mas não é o único caminho, o governo do Equador seguirá apoiando o compromisso do presidente Santos e seu governo com a paz.”

Chancelaria do Equador


/EFE, REUTERS e AFP

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