Líderes prestam tributo a Kennedy

Obama, Clinton, Carter e Bush participam da missa fúnebre de Ted

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

29 de agosto de 2009 | 00h00

Mil e quatrocentas pessoas enfrentaram ontem a chuva em Boston para fazer uma última homenagem ao senador Edward "Ted" Kennedy, que morreu na terça-feira, aos 77 anos, depois de lutar 15 meses contra um câncer no cérebro. Três dos quatro ex-presidentes vivos participaram da missa na Basílica da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, acompanhados de suas mulheres - Bill Clinton e Hillary Clinton, Jimmy Carter e Rose, George W. Bush e Laura.O presidente Barack Obama fez o principal discurso em homenagem a Kennedy, a quem chamou de "o maior legislador de nossa era" . De Boston, o caixão foi levado para Washington. Ele foi recebido por 5 mil pessoas no Capitólio. O enterro ocorreu por volta das 20 horas de Washington (21 horas de Brasília), com a presença de apenas 200 convidados, no Cemitério Nacional de Arlington, onde são enterrados heróis militares e civis."Hoje nós dizemos adeus ao filho mais novo de Rose e Joseph Kennedy", disse Obama durante a missa. "O mundo vai se lembrar do filho deles, Edward, como herdeiro de um pesado legado, um defensor daqueles que não têm nada, a alma do Partido Democrata e o leão do Senado dos EUA - um homem que assinou mais de mil leis e foi autor de 300 delas." Obama tem uma dívida de gratidão com Kennedy, que apoiou o senador do Illinois durante as primárias do Partido Democrata e foi instrumental para sua eleição à presidência. "Grandes expectativas foram postas sobre os ombros de Ted por ele ser a pessoa que era, mas Ted superou todas as expectativas por ter se tornado a pessoa que se tornou", disse Obama. "Hoje, nós choramos por ele não por causa do prestígio ligado a seu nome ou cargo. Nós choramos porque nós amávamos esse herói bondoso e sensível, que perseverou para superar a dor e a tragédia."O outro ex-presidente vivo, George H. Bush, não foi à missa por motivos de saúde. Mas o vice-presidente Joe Biden e três ex-vice-presidentes estavam lá, além de 58 senadores, 21 ex-senadores, Sarah Brown, a mulher do premiê britânico, Gordon Brown, o cantor Tony Bennett e o ator Jack Nicholson.Conforme estava previsto, Ted foi enterrado perto de seus irmãos, o ex-presidente John F. Kennedy e o senador Bobby Kennedy, ambos assassinados nos anos 60.O dia foi cheio de homenagens. Antes do enterro, o cortejo fúnebre parou no Capitólio, em Washington. Lá, a viúva de Kennedy, Vicky, foi recebida por mil pessoas nas escadarias do Capitólio, assessores e ex-assessores do senador, além de senadores que trabalharam com ele, todos segurando bandeiras dos EUA. Robert Byrd, o senador que está há mais tempo no Senado e que chorou ao saber da doença de Kennedy, estava lá, em uma cadeira de rodas.Outras 4 mil pessoas espalhadas pelo gramado do Capitólio, com faixas de homenagem e bandeiras americanas, esperaram pelo cortejo. Todos cantaram a música America, the beautiful.De manhã, a missa durou duas horas e teve apresentações do tenor Placido Domingo e do violoncelista Yo-Yo-Ma. Um dos momentos mais emocionantes foi o discurso do filho de Kennedy, Ted Kennedy Jr, que teve de amputar uma perna aos 12 anos por causa de um câncer. "Eu tinha 12 anos, tinha acabado de perder a perna, e caí no gelo tentando subir um morro. Comecei a chorar e disse - eu nunca vou conseguir subir neste morro", contou Ted Jr, com a voz embargada. "Meu pai me olhou e disse: ?sei que você consegue, não existe nada que você não possa fazer. Nós vamos subir neste morro, mesmo se levar o dia inteiro?."Obama mencionou apenas vagamente a questão da reforma do sistema de saúde em seu discurso. Os republicanos estão acusando os democratas de usar a morte de Kennedy para fins políticos, como forma de pressionar pela aprovação da reforma no Congresso. Kennedy era o maior defensor de uma legislação garantindo acesso universal à saúde.

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