Líderes prometem cooperação para resolver crise no Quênia

Presidente e oposição se encontram com a mediação de Kofi Annan pela primeira vez desde eleições

Agências internacionais,

24 de janeiro de 2008 | 14h24

O governo e a oposição do Quênia se comprometeram a trabalhar juntos para superar a crise que atinge o país desde o fim de dezembro e concordaram na necessidade urgente de pôr fim à violência. O presidente Mwai Kibaki e o líder da oposição, Raila Odinga, anunciaram a cooperação após a reunião realizada nesta quinta-feira, 24, a primeira desde o começo da crise, na presença do ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, que atuou como mediador.   Veja também: Entenda a crise pós-eleitoral do Quênia   Kibaki e Odinga posaram para fotos sorrindo e se cumprimentaram após a reunião de portas fechadas. "Acredito que começamos a dar alguns passos para uma solução pacífica", disse Annam após o encontro no Gabinete de Kibaki.   Odinga, que afirma que Kibaki fraudou as eleições, afirmou que continuará as negociações até que uma solução seja encontrada. "Peço que todos os quenianos que meu grupo e eu não dispensemos esforços para resolver a crise".   Kibaki ressaltou que liderará pessoalmente o leste do continente pela unidade e a paz no país. "Apelo para que todos os quenianos mantenham a calma e interrompam a onda de violência enquanto nos empenhamos na busca de soluções", ele afirmou. "Estou confiante de que, juntos, com a nossa experiência, unidade e determinação, faremos o possível para superar os desafios". O presidente havia insistido em conversar diretamente com Odinga, mas este se recusava a encontrar o presidente sem a presença de um mediador.   Segundo a ONG Human Rights Watch, existem evidências de que líderes da oposição "fomentam ativamente" ataques étnicos organizados e diretos no oeste do país. A organização afirmou ainda que mais ações violentas contra os apoiadores do presidente Kibaki são planejadas. A oposição negou as acusações.   Na quarta-feira, dia em que o ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan iniciou uma missão para tentar resolver a crise no Quênia, manifestantes da oposição incendiaram e apedrejaram prédios e veículos em Nairóbi.   Os protestos começaram durante o funeral de 28 moradores da favela de Kibera - um dos principais redutos da oposição -, realizado num estádio de futebol no centro da capital. Do lado de fora, manifestantes entraram em choque com a polícia, que usou gás lacrimogêneo para tentar dispersá-los. A multidão ateou fogo em uma agência do correio e no prédio da companhia estatal de telefonia. Ao abandonarem as empresas, muitos funcionários foram espancados pelos manifestantes.   Odinga e outros dirigentes do MDL participaram de uma reunião com o ganense Annan, que conseguiu persuadi-los a cancelar um grande protesto que estava marcado para esta quinta. "A pedido do grupo de mediadores, suspedemos as atividades de amanhã (hoje)", afirmou um representante do partido, William Rutto, após o encontro com o ex-secretário da ONU.   O cancelamento do protesto foi visto como um bom início para a mediação de Annan. Em outro sinal promissor, Odinga manifestou a disposição de integrar um governo de coalizão com Kibaki - um recuo em relação à posição inicial de não aceitar a permanência do atual presidente no poder.

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