Líderes rebeldes não comparecem a negociação sobre Darfur

Ausências podem colocar em dúvida a validade de um acordo para a paz na região

Reuters,

27 de outubro de 2007 | 14h01

Delegações reuniram-se na Líbia neste sábado, 27, para iniciar as conversações de paz para dar fim ao conflito que já dura mais de 4 anos na região de Darfur, no Sudão. Porém, a ausência de representantes de rebeldes ativos no conflito pode colocar em dúvida a validade de um acordo. Às vésperas do início das negociações em Sirta, mediadas pela União Africana e pelas Nações Unidas, dois dos principais grupos rebeldes disseram que não comparecerão, o Movimento por Justiça e Igualdade (JEM) e uma facção da União do Exército de Libertação do Sudão. A decisão ocorreu depois que um outro líder rebelde, Abdel Wahed Mohamed el-Nur, fundador de um terceiro grupo, o Exército de Libertação do Sudão, disse que não iria às negociações de Sirta. O JEM e a União do Exército representam a maior ameaça ao governo sudanês e Nur é muito popular entre os habitantes de Darfur. Analistas dizem que sem essas participações, as negociações na Líbia têm pouca chance de sucesso. Autoridades da ONU e da UA estão tentando minimizar a perspectiva de um acordo final em Sirta, afirmando que esperam que algum progresso seja feito até o fim do ano. "Não é uma questão de uma ou duas reuniões", disse o porta-voz a UA, Noureddine Mezni. "É um longo processo. Esperamos que, conforme ele evolua, outros passem a participar." As negociações são a primeira tentativa de reunir rebeldes de Darfur e o governo do Sudão em torno da mesa de negociações desde 2006, quando a União Africana mediou o diálogo de paz em Abuja, na Nigéria. Assinado apenas por uma facção rebelde, o acordo teve pouco apoio entre os 2 milhões de moradores de Darfur retidos em campos de refugiados e desabrigados. Em vez de gerar a paz, o acordo causou ainda mais violência, com os rebeldes divididos em mais de uma dezena de facções, alguns atacando civis, profissionais de ajuda humanitária e soldados da UA enviados à região para deter a violência, mas incapazes de se proteger. Especialistas internacionais dizem que cerca de 200 mil pessoas morreram desde que os rebeldes iniciaram o conflito contra o governo em 2003, e acusam o governo de negligência. O Sudão afirma que a mídia ocidental exagera a crise e que apenas 9.000 pessoas morreram.

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