AFP PHOTO / POOL / BERTRAND GUAY
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Líderes religiosos da França pedem mais proteção contra terroristas

Reitor da Grande Mesquita de Paris, Dalil Boubakeur, pediu mais segurança para centros de culto judaico, cristãos e muçulmanos; líderes europeus declararam solidariedade e a cooperação da Europa 'para combater a barbárie'

O Estado de S. Paulo

27 Julho 2016 | 09h31

PARIS - Os líderes das grandes religiões da França, que foram recebidos nesta quarta-feira, 27, pelo presidente François Hollande um dia depois de um sacerdote ter sido assassinado em sua igreja, vítima de um atentado jihadista, pediram uma maior proteção para os centros religiosos.

O reitor da Grande Mesquita de Paris, Dalil Boubakeur, disse esperar que os "centros de culto judaico, cristãos, muçulmanos, sejam objeto de uma maior atenção" porque até mesmo "o mais humilde é também objeto de agressão", em referência à igreja de Normandia, onde aconteceu o ataque terrorista.

Boubakeur, que se dirigiu aos veículos de imprensa ao lado de outros representantes religiosos na saída da reunião com Hollande, no Palácio do Eliseu, condenou o "sacrilégio blasfemo" do assassinato do padre Jacques Hamel, de 86 anos, quando celebrava uma missa, na ação reivindicada pelo Estado Islâmico (EI).

"É um ato fora do islã que todos os muçulmanos da França rejeitam da forma mais firme", afirmou Boubakeur, acrescentando que "esses atos criminosos" visam quebrar a unidade.

O presidente da Conferência Episcopal da França e arcebispo de Paris, André Vingt-Trois, pediu aos católicos que evitem a tentação da vingança e não percam o sentido de sua fé: "não nos podemos deixar levar pelo jogo político do EI que quer criar um confronto uns com outros".

"As relações particularmente harmoniosas entre as diferentes religiões na França são um recurso importante para a coesão de nossa sociedade", destacou.

Por sua vez, o presidente da Federação Protestante da França (FPF), o pastor François Clavairoly, estimou que vigiar cada lugar de culto na França é algo totalmente "inconcebível e inviável".

Setecentas sinagogas e escolas judaicas e mais de 1 mil das 2,5 mil mesquitas da França contam com proteção militar, mas é ilusório pensar em aplicar este nível de segurança às 45 mil igrejas católicas, 4 mil templos protestantes, 2,6 mil evangélicos e 150 locais de culto ortodoxo.

Hollande presidiu na manhã desta quarta um conselho restrito com ministros e gestores responsáveis pela segurança e defesa para abordar as consequências deste novo atentado na França, depois do massacre de Nice, no dia 14. 

Apoio. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, defendeu "a solidariedade e a cooperação na Europa para combater a barbárie", em uma carta de condolências enviada na noite de terça-feira a Hollande.

"Mais do que nunca, em toda a Europa, a solidariedade e a cooperação serão essenciais para combater a barbárie e fazer prevalecer nossos valores comuns", escreveu. "A Comissão Europeia está totalmente mobilizada, ao lado de outras instituições europeias para dar todo seu apoio à França nesses momentos dolorosos."

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, também ofereceu sua "solidariedade" e seus pêsames a "todas as famílias das vítimas, à França, assim como à Igreja Católica". "Tomar como alvo um homem de fé, qualquer que seja ela, permanecerá sempre como um crime contra nossa humanidade comum, porque isso atenta contra a essência mesma de nossa vida, crentes, ou não", completou.

"Estamos ao lado dos franceses diante dessa incompreensível barbárie", tuitou, por sua vez, o presidente do Parlamento europeu, Martin Schulz. / EFE e AFP

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