Líderes rivais se reúnem, mas violência volta a atingir Quênia

Pelo menos dez morrem em confrontos étnicos no país; Odinga rejeita cargo de premiê no governo de Kibaki

ANDREW CAWTHORNE E HELEN NYAMBURA-MWAURA, REUTERS

25 de janeiro de 2008 | 12h24

Conflitos entre etnias rivais mataram ao menos dez pessoas no vale Rift, no Quênia, e obrigaram milhares a abandonarem suas casas na sexta-feira, 25, minando as esperanças de que chegassem ao fim as várias semanas de distúrbios no país.   Veja também: Entenda a crise pós-eleitoral do Quênia A nova onda de violência seguiu-se ao primeiro encontro entre os dois líderes rivais do país desde que uma polêmica eleição presidencial, realizada no dia 27 de dezembro, deu início aos conflitos. Também depois daquela reunião, o líder oposicionista Raila Odinga rechaçou a proposta de ocupar o cargo de primeiro-ministro em um governo comandado pelo presidente Mwai Kibaki, que venceu o pleito contestado, reelegendo-se. "A cidade de Nakuru está fechada. Meus funcionários levaram três corpos e centenas de feridos para hospitais", afirmou Abbas Gullet, chefe da Cruz Vermelha queniana. Unidades da polícia paramilitar foram estacionadas na periferia de Nakuru, no vale Rift, uma região de terras férteis onde casas ardiam em chamas e tiros podiam ser ouvidos. Fotos aéreas dos vilarejos vizinhos mostraram fumaça saindo de várias habitações incendiadas. Cerca de 700 pessoas morreram na onda de violência iniciada após a reeleição de Kibaki em um pleito que, segundo observadores estrangeiros, apresentou uma série de problemas. Odinga e o Movimento Democrático Orange (ODM), liderado pelo oposicionista, acusam o presidente de ter fraudado as eleições. Os distúrbios também deixaram 250 mil pessoas desabrigadas e prejudicam uma das economias mais promissoras do continente africano. As esperanças de que a crise fosse solucionada aumentaram na quinta-feira depois de Kofi Annan, ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), ter conseguido reunir Odinga e Kibaki para que realizassem suas primeiras negociações formais a fim de solucionarem o impasse. Mas aos sorrisos e apertos de mão dos dois seguiram-se novas acusações. A oposição ficou indignada com o fato de Kibaki ter descrito a si próprio como o líder "devidamente eleito" do país. Na sexta-feira, Odinga conclamou a União Africana a não endossar a reeleição de Kibaki em uma cúpula marcada para ocorrer na Etiópia. Em entrevista concedida à Reuters, o oposicionista descartou a possibilidade de assumir o cargo de primeiro-ministro em um governo liderado por Kibaki --uma solução que alguns meios de comunicação e diplomatas tinham aventado. Segundo Odinga, as únicas três opções aceitáveis eram a renúncia de Kibaki, uma nova eleição ou a formação de um governo de coalizão ao que se seguiria um novo pleito. Ele disse estar disposto a encontrar-se com Kibaki novamente. "Eu lhe pediria que não mais fizesse esse tipo de declaração embaraçosa que acabará por minar definitivamente o processo de mediação". Potências ocidentais criticaram a votação presidencial, que consideraram cheia de falhas, com destaque para o processo de contagem dos votos, e pressionam para que as duas partes em conflito acertem algum tipo de governo de coalizão.

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