Lieberman eleva tom contra EUA

Chanceler de Israel reitera posição sobre construções, mas Netanyahu tenta reduzir tensão, reabrindo passagem na Cisjordânia

Gustavo Chacra, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2010 | 00h00

O chanceler israelense, Avigdor Lieberman, manteve a posição israelense de construir 1.600 casas em Jerusalém Oriental, reivindicada pelos palestinos como capital de seu futuro Estado, ignorando as exigências dos EUA. Em Washington, a Casa Branca recebeu cartas e pedidos de deputados e senadores americanos pedindo um abrandamento no tom em relação a Israel.

"A exigência para proibir os judeus de construir em Jerusalém Oriental não é razoável. Imaginem se proibíssemos os árabes de construir em Jerusalém Ocidental", disse Lieberman, que é um dos membros mais radicais do gabinete do premiê Binyamin Netanyahu, que muitas vezes discorda de suas posições extremistas. "Certamente diriam que seríamos um Estado de apartheid, mas essa é uma assimetria inaceitável", concluiu.

No dia anterior, o chanceler havia dito que proibir construções na parte oriental equivale a impedir que judeus construam no Queens, um bairro de Nova York. "Estamos tentando esclarecer nossa posição por meio dos canais apropriados para explicar o que está acontecendo e espero que obtenhamos um entendimento" com os americanos, disse Lieberman.

Com objetivo de reduzir a tensão, Netanyahu criticou duramente seu cunhado - que classificou o presidente Barack Obama como antissemita - e determinou a reabertura da passagem entre a Cisjordânia e Israel para palestinos com autorização. O premiê também evitou dar declarações públicas em uma atitude que, para analistas, busca amenizar as tensões com os EUA.

Um comunicado de seu gabinete dizia apenas que ele "aprecia o compromisso de Obama com a segurança de Israel". No domingo, Netanyahu embarca para Washington, onde participa de uma conferência da Aipac (organização pró-Israel conservadora americana). Não está confirmado se ele se reunirá com Obama ou a secretária de Estado Hillary Clinton. No ano passado, em outro evento da comunidade judaica, uma reunião com Obama foi agendada de última hora.

Os EUA aguardam uma mudança de posição de Israel em relação aos assentamentos. Obama e seu governo estão em uma situação delicada. Como exigiram que Israel interrompa as construções em áreas reivindicadas pelos palestinos, o governo Obama poderia ser visto como fraco no mundo árabe caso volte atrás na dura posição em relação aos israelenses. Isso prejudicaria os laços com aliados árabes e também a estabilização do Iraque. O Irã poderia se aproveitar para dizer que os EUA são fracos e sempre cedem aos israelenses.

Ao mesmo tempo, a Casa Branca precisa lidar com a pressão dos congressistas americanos, até mesmo do Partido Democrata. Obama recebeu cartas de diversos deputados e senadores pedindo que seu governo amenize o tom em relação a Israel. Ao todo, 36 deputados e 7 senadores divulgaram comunicados oficiais defendendo Israel. O republicano John McCain, candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2008, disse entender a irritação dos membros do governo, mas considerou exagerada "a reação da administração".

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