Liga Árabe antecipa cúpula de líderes

A Liga Árabe decidiu antecipar para meados de março a cúpula anual dos líderes dos países membros da organização, devido à proximidade de uma guerra contra o Iraque, que "trará conseqüências econômicas desastrosas para a região" do Oriente Médio, África do Norte e Golfo Pérsico.Foi o que informou no Cairo o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, que reiterou estar "muito pessimista a respeito das conseqüências econômicas desatrosas" que uma guerra poderá causar. Em 16 de fevereiro se reunirão na capital egípcia os chanceleres dos 22 países membros da Liga Árabe, para preparar as bases da cúpula. Nesta reunião será decidido - explicou Moussa - a data precisa da cúpula de mandatários que, segundo uma fonte da Liga Árabe que não quis se identificar, se realizará em meados de março. Uma cúpula no início de março será impossível, uma vez que nesta época se desenvolve a reunião dos Países Não-Alinhados e o Encontro Euro-Africano. A cúpula dos países árabes (cuja antecipação foi alvo de resistência por parte da Arábia Saudita e de outras monarquias do Golfo Pérsico) será dedicada a obter apoio na região para uma rejeição à guerra, com uma postura comum de seus membros - uma opção que para os analistas é "quase impossível". A urgência em antecipar o encontro anual dos chefes de Estado árabes foi pedida pelo Iraque e pelo Líbano, que exerce a presidência atual da cúpula. A reunião estava prevista para 24 de março, mas há esforços para sua antecipação, disse Moussa."Uma guerra constituiria uma violação da paz e da segurança em nível interno e regional", disse o representante iraquiano perante a Liga Árabe, Mohsen Khalil. Mas o chanceler saudita, o príncipe Saud Al-Faysal, disse que o pedido para antecipar a cúpula "não tem justificativas claras e poderia colocar em dúvida a credibilidade da Liga". Para o chanceler egípcio, Ahmed Maher, "a situação exige contatos árabes para unificar as posições. Queremos ter uma voz forte que convoque em favor da paz para a crise iraquiana, uma solução pacífica no marco da resolução 1441 da ONU, e (que ajude a) evitar uma guerra com conseqüências negativas para todos". O Egito, como muitos dos países da Liga Árabe, tem motivos para apoiar esta sugestão: não apóia Saddam Hussein, mas nem por isso quer abandonar a população iraquiana, já que a pressão de seu povo contra os EUA cresce dia a dia. "Bush está bêbado, em Bagdá está sua derrota", e "Saladim, Saladim, reforça teu arsenal", gritaram hoje, em coro, milhares de estudantes dentro da Universidade do Cairo. Um docente universitário disse à televisão estatal egípcia que "nossos governos estão em coma, como se vivessem em outro planeta, como se fosse normal atacar o Iraque".

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