Liga Árabe dá ultimato a Israel para frear assentamentos

A Liga Árabe deu ontem um ultimato a Israel para que cesse as construções em assentamentos na Cisjordânia. De acordo com a proposta apresentada pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, o governo israelense tem um mês para retomar a moratória, caso contrário o campo árabe abandonará definitivamente o diálogo de paz.

AP, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2010 | 00h00

Reunidos na Líbia, os 22 chanceleres dos países que formam o bloco árabe deram forte apoio a Abbas e aumentaram a pressão sobre a Casa Branca para que convença o governo do primeiro-ministro Binyamin "Bibi" Netanyahu a abrir mão das novas construções em território palestino.

Ao tomar posse, Netanyahu anunciou um congelamento de dez meses nos assentamentos. A moratória inicial, porém, expirou no dia 26 e não foi renovada.

Para convencer Israel a adotar uma nova moratória, o governo Barack Obama teria oferecido um pacote de garantias a Netanyahu - incluindo o veto a qualquer resolução contrária a israelenses no Conselho de Segurança da ONU e proteção contra o Irã. Mas grupos de direita que formam o gabinete israelense ameaçam romper com Bibi caso o congelamento seja renovado.

Cuidado. Israel não comentou oficialmente o ultimato da Liga Árabe. Abbas, por sua vez, busca evitar ser responsabilizado pelo fracasso do diálogo e, por isso, teria insistido no prazo de mais um mês para que Netanyahu ceda às pressões internacionais.

"Os EUA devem tentar preservar o que ainda resta do processo de paz", disse Nabil Abu Rdeneh, um dos principais assessores de Abbas.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e o enviado da Casa Branca para Oriente Médio, George Mitchell, telefonaram durante toda a semana para líderes árabes, tentando dissuadi-los de abandonar a negociação de paz. Países moderados da região, como Egito e Jordânia, defendiam o retorno ao diálogo indireto com Israel. Outros, como a Síria, pressionavam pelo abandono de todo o tipo de diálogo com Tel-Aviv.

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