Khaled Elfiqi/Efe
Khaled Elfiqi/Efe

Liga Árabe dá ultimato à Síria para início de missão observadora

País tem 24 horas para permitir entrada de missão ou terá de enfrentar sanções do grupo

AE, Agência Estado

24 de novembro de 2011 | 14h26

Atualizado às 19h20

 

CAIRO - Um comitê da Liga Árabe deu 24 horas ao governo da Síria para concordar em permitir a entrada da sua missão observadora no país, ou enfrentar sanções econômicas e políticas dos seus vizinhos árabes.

 

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A ameaça feita nesta quinta-feira, 24, acompanha o aumento das pressões internacionais sobre o presidente sírio Bashar al-Assad para frear a brutal repressão contra os opositores ao seu regime. A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que mais de 3.500 pessoas foram mortas na violência desde meados de março. Esse número também inclui soldados e funcionários do governo mortos pelo opositores.

 

A Liga Árabe pediu a Damasco que concorde com a entrada da missão observadora até sexta-feira. Se a Síria rejeitar o pedido, a Liga Árabe se reunirá no sábado na sua sede no Cairo para decidir sobre as sanções que podem incluir a suspensão dos voos comerciais à Síria, final dos acordos financeiros e congelamento de ativos sírios nos bancos dos outros países árabes.

 

Sinais de que não existe unanimidade na Liga Árabe sobre a crise síria, contudo, também ficaram aparentes nesta quinta-feira. O governo do Líbano disse que não apoiará sanções da Liga contra a Síria e a informação partiu do ministro das Relações Exteriores libanês, Adnan Mansur.

 

"O Líbano não apoiará qualquer sanção contra a Síria na Liga Árabe", disse Mansur. "Nós decidiremos se votaremos contra as sanções no Cairo ou vamos nos abster", ele afirmou em Beirute, logo antes de embarcar num voo para o Cairo. O Líbano e o Iêmen votaram contra a suspensão da Síria na Liga, no começo deste mês. O grupo xiita Hezbollah, que faz parte do governo libanês, é aliado da Síria.

 

Europa

 

Também nesta quinta-feira, a União Europeia (UE) disse que a proteção dos civis contra a repressão do governo sírio "é um aspecto importante e cada vez mais urgente" na resposta à violência. O governo da França disse que apoiará a ideia da abertura de "corredores humanitários" para que civis deixem a Síria. O chanceler francês Alain Juppé disse à rádio France-Inter que Paris levará a proposta à UE, mas ressaltou que ela precisará do apoio das Nações Unidas, da Liga Árabe e ter a assertiva do governo sírio.

 

Juppé disse que a França trabalha com dois cenários para a crise síria. "O primeiro é que a comunidade internacional obtenha autorização do regime (Assad) para a abertura de corredores humanitários. Se esse não for o caso, teríamos que considerar outras soluções. É possível proteger comboios, mas ainda não estamos lá", afirmou. Existem rumores de que a Turquia e a França consideram a imposição de uma zona de exclusão aérea sobre parte do território sírio para dar uma margem de manobra à oposição síria, enquanto esta organiza sua revolta. Juppé disse que a situação na Síria é "insustentável". As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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