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Liga Árabe dá ultimato ao regime de Damasco

Entidade mantém suspensão da Síria e ameaça com mais sanções se Assad não conter repressão, mas rejeita possibilidade de intervenção

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2011 | 03h01

NOVA YORK - A Liga Árabe manteve ontem a suspensão da Síria após a reunião de cúpula no Marrocos, com o apoio da Turquia. A entidade deu um ultimato de três dias para Damasco conter a "sangrenta repressão" e permitir a entrada de observadores, e advertiu que, caso contrário, o país enfrentará mais sanções.

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A Liga Árabe disse que medidas urgentes precisam ser tomadas para proteger os civis no país. Ao mesmo tempo, descartou a possibilidade de uma intervenção militar nos moldes da realizada na Líbia para depor Muamar Kadafi.

O regime de Bashar Assad, que boicotou o encontro, repudiou a decisão. Segundo a agência de notícias estatal Sana, as ações dos vizinhos árabes têm como objetivo atender "aos interesses de Israel e dos Estados Unidos na região" - na verdade, dos 18 membros da Liga Árabe que votaram pela suspensão da Síria da entidade, apenas o Egito e a Jordânia mantêm relações com os israelenses.

Em declaração divulgada depois da cúpula em Rabat, a Liga Árabe afirmou "que é necessário interromper o derramamento de sangue, protegendo os cidadãos sírios de novos atos de violência, e adotando medidas urgentes". Segundo a ONU, mais de 3.500 pessoas foram mortas na repressão do regime aos protestos, iniciados em março.

O texto da entidade acrescenta que "os ministros ressaltaram a importância da estabilidade na Síria e a necessidade de encontrar uma solução sem a intervenção externa". A Turquia, que não é árabe, participou como convidada do encontro. O regime de Damasco, que libertou mais de mil presos e concordou com a ida de observadores militares e civis árabes ao país, acusou a oposição pelo fracasso da iniciativa.

Ayham Kamel, da agência de risco político Eurasia, disse que a decisão de suspender a Síria "busca provocar fissuras na elite econômica e militar do país. O regime, por sua vez, deve responder com uma intensificação do uso da força contra uma oposição cada mais militarizada".

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