Liga Árabe endossa projeto de reconhecimento palestino

Reunidos em Doha, no Catar, ministros de Exteriores disseram que vão 'reunir todo o apoio necessário'

AE, Agência Estado

14 de julho de 2011 | 17h17

Mahmud Abbas, presidente palestino, com o emir do Catar, Hamad Bin Khalifa al-Thani, em Doha

 

DOHA, CATAR - A Liga Árabe endossou nesta quinta-feira, 14, o projeto palestino de buscar o reconhecimento de um Estado na Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro, o que deve dar início a um confronto com os Estados Unidos e com o Conselho de Segurança (CS).

 

As negociações com Israel sobre os termos para a criação do Estado palestino estão congeladas desde 2008. Como alternativa, os palestinos decidiram buscar o reconhecimento na ONU de uma "Palestina" independente na Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental, áreas tomadas por Israel na guerra dos Seis Dias, em 1967.

 

Os ministros de Relações Exteriores da Liga Árabe, reunidos hoje em Doha, no Catar, disseram que apoiam a proposta palestina. Os ministros prometeram, em comunicado, "tomar todas as medidas necessárias e reunir todo o apoio necessário de todos os países, começando pelos membros do Conselho de Segurança, para reconhecer o Estado da Palestina e conquistar a filiação plena à ONU".

 

No documento, os chanceleres afirmam que "uma paz ampla e justa com Israel não será alcançada a menos que Israel se retire de todos os territórios árabes ocupados".

 

Estado observador

 

Não houve reação imediata à decisão por parte de Israel ou dos Estados Unidos. Mas Washington, um dos cinco membros permanentes do CS, tem reforçado que vai vetar o pedido palestino. O veto norte-americano atrapalharia a busca de reconhecimento na ONU.

 

Como alternativa, os palestinos podem ir à Assembleia Geral e buscar o reconhecimento como um Estado observador não membro, uma medida em grande parte simbólica. Ainda assim, um amplo apoio na Assembleia Geral sinalizaria que a maioria dos países apoia o Estado palestino com as fronteiras pré-1967.

 

Após o anúncio de hoje, o experiente negociador palestino Saeb Erekat disse que os palestinos devem apelar aos dois organismos da ONU (Assembleia Geral e Conselho de Segurança), começando pelo Conselho. "Nós esperamos que os Estados Unidos não usem seu poder de veto contra a decisão", disse ele.

 

Falando em Doha, Erekat disse que os ministros árabes decidiram formar dois comitês - um que vai trabalhar com assuntos processuais e o segundo para reunir apoio internacional aos palestinos.

 

Esta decisão é arriscada para os palestinos, já que Washington é o principal mediador no Oriente Médio. Já existe no Congresso norte-americano um projeto para cortar milhões de dólares em ajuda se o governo de unidade palestino incluir integrantes do Hamas, que é considerado uma organização terrorista por vários países do Ocidente.

 

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeita a completa retirada dos territórios ocupados, onde cerca de 500 mil israelenses se instalaram desde 1967, sendo 300 mil na Cisjordânia e 200 mil em Jerusalém Oriental.

 

As informações são da Associated Press

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