Liga Árabe precisa ser dura com Bashar Assad

Análise: Editorial do 'New York Times'

O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2011 | 03h06

No fim de um ano tumultuado no qual homens fortes do Oriente Médio foram derrubados, o presidente sírio, Bashar Assad, ainda está de pé matando seu povo. E, mesmo assim, líderes na Rússia, China e Estados árabes ainda não fizeram o bastante para pressioná-lo a parar. Assad ignorou a pressão internacional até a Liga Árabe interceder no conflito no mês passado e impor sanções contra o seu regime. Só então ele concordou em retirar soldados de áreas residenciais e dar início a um diálogo com a oposição. No entanto, a concessão do ditador parece ser, na verdade, apenas mais uma maneira de ganhar tempo enquanto ele tenta domar os sírios e mantê-los submissos.

Centenas de mortes depois - segundo a ONU, mais de 5 mil pessoas, em sua maioria civis, foram mortas desde que a repressão aos protestos teve início, em março -, foi apenas na segunda-feira que Assad aceitou um plano para que observadores da Liga Árabe visitassem o país para fiscalizar se ele está cumprindo suas promessas de pôr fim à violência. Para ter resultados com credibilidade, a missão da Liga precisará ter acesso ilimitado a todas as áreas de conflito na Síria e tornar todas suas descobertas públicas - algo que dificilmente será permitido por Assad.

Enquanto isso, a Rússia faz o possível para prevenir que o Conselho de Segurança da ONU faça o que já deveria ter feito meses atrás: condenar o reinado sangrento de Assad e impor duras sanções econômicas contra o ditador e seus aliados militares.

Os EUA e a Europa já impuseram as próprias sanções contra a Síria, mas a Rússia e a China, em outubro, vetaram uma resolução do CS que condenaria apenas a repressão aos protestos. Na semana passada, a Rússia surpreendeu o órgão ao propor novas resoluções pedindo aos dois lados o fim da violência, sem sanções, em um aparente esforço de poupar seu aliado de penalidades mais fortes. Assad já deixou claro de que está disposto a destruir seu país para manter-se no poder, o que seria um desastre para a região.

A Liga Árabe precisa ser forte contra os abusos do ditador e deixar claro que não permitirá que Assad manipule sua missão, assegurando que as sanções impostas sejam cumpridas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.