Liga Árabe suspende missão na Síria

Decisão foi motivada por aumento da repressão do regime; mais 47 pessoas morreram no país

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2012 | 03h03

A Liga Árabe suspendeu ontem sua missão de observadores na Síria em razão do aumento da violência do regime de Bashar Assad contra manifestantes pró-democracia. Na sexta-feira, a oposição denunciara a morte de 100 civis. Ontem, ao menos 47 pessoas morreram em ataques atribuídos ao Exército e a grupos armados contrários ao governo.

"Foi decidida a interrupção imediata da missão da Liga Árabe na Síria até que a questão seja discutida pelo nosso conselho", afirmou a entidade por meio de nota. "O secretário-geral (Nabil al-Arabi) também pediu à missão que tome todas as medidas necessárias para garantir a segurança de seus membros."

De acordo com o subsecretário-geral do órgão, Ahmed bin Heli, os 100 observadores presentes no país interromperam seus trabalhos e ficarão em um hotel em Damasco até segunda ordem.

A missão faz parte de um acordo costurado no final do ano passado entre a Liga Árabe e o regime de Assad para pôr um fim à crise no país, que já dura 10 meses. Ameaçado de sanções econômicas pela entidade, o governo aceitou a entrada dos observadores e prometeu retirar os tanques das ruas e libertar presos políticos. A violência contínua contra os manifestantes, no entanto, já havia feito a Arábia Saudita e outras monarquias do Golfo Pérsico - críticas do regime de Assad - desistirem da missão no meio da semana.

A Liga Árabe e potências ocidentais tentam negociar a aprovação de punições contra a Síria no Conselho de Segurança da ONU. Uma delegação da Liga Árabe viaja hoje para Nova York para reunir-se com membros do CS. Um esboço de resolução, organizado pelo Marrocos, membro da entidade que ocupa uma cadeira temporária no órgão, esbarra na oposição da Rússia.

Segundo o embaixador de Moscou nas Nações Unidas, Vitali Churkin, o plano marroquino tem condições que não seriam aceitas por seu país, como sanções econômicas e um embargo de armas. Com grandes contratos de venda de armamentos para Damasco, a Rússia promete, assim como fez em outubro, vetar uma resolução contra Assad. De acordo com as Nações Unidas, o número de mortos no país desde o início do levante popular em março já passa de 5,4 mil.

Ataques. De acordo com o Comitê de Coordenação Local, entidade ligada à oposição, o Exército lançou ontem novas ofensivas a Homs, o principal reduto dissidente, Deraa, foco inicial de revolta, e subúrbios de Damasco. Segundo o jornal New York Times, grupos opositores tomaram após um funeral o controle da cidade de Saqba, 10 km ao leste de Damasco.

Segundo a agência estatal Sana, sete militares morreram em uma emboscada organizada Exército Sírio Livre, grupo armado contrário a Assad. Em Deir al-Zour, no leste do país, um gasoduto explodiu após um ataque. Os rebeldes e o governo trocaram acusações sobre a autoria da ação.

Ainda ontem, o regime acusou o Conselho Nacional Sírio, entidade que agrega os grupos de oposição, de ter atacado a Embaixada da Síria no Cairo e disse "não entender" a suspensão da missão da Liga Árabe.

Segundo a representação diplomática síria, o grupo dissidente é financiado por "monarquias do Golfo", em referência a países árabes que se opõem ao ditador. / AP, REUTERS e EFE

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