AFP PHOTO / Alberto PIZZOLI AND Filippo MONTEFORTE
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Liga Norte e 5 Estrelas dão 'passos significativos' para acordo após saída de Berlusconi

Líderes dos partidos dizem que negociações estão avançando para coalizão de governo; ambos se opõem a restrições orçamentárias da União Europeia

O Estado de S.Paulo

10 Maio 2018 | 11h00

ROMA - O Movimento 5 Estrelas e a Liga, grupo nascido na extrema direita, deram "passos significativos" para formar um governo na Itália, segundo disseram os dois partidos nesta quinta-feira, 10, depois de nove semanas de impasse político no país. Ambos se opõem às restrições orçamentárias da União Europeia e fizeram promessas eleitorais que custariam bilhões de euros para implementar. Mas entraram em negociações na quarta-feira em busca de acordo justo quando o retorno às urnas parecia inevitável.

"Avanços significativos foram feitos na composição do governo e na [nomeação] de um primeiro-ministro", disse um comunicado conjunto dos partidos após reunião entre seus líderes, Matteo Salvini, da Liga, e Luigi Di Maio, do Movimento. Nenhum deles deu qualquer indicação de quem poderia liderar a nova administração ou se encarregar dos principais ministérios.

"Eu não posso disfarçar minha alegria e felicidade de que nós podemos finalmente começar a resolver os problemas da Itália", disse Di Maio a seus apoiadores, pelo Facebook. O Movimento 5 Estrelas tem dado sinais de que está pronto para formar uma coalizão com a Liga, mas não com o aliado do partido, o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, visto como símbolo da corrupção política italiana.

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Salvini se recusava a abandonar Berlusconi, por lealdade ao bloco da centro-direita, mas o empresário bilionário de 81 anos acabou se afastando voluntariamente na quarta-feira, removendo o maior obstáculo do acordo.

Discordância

O Movimento 5-Estrelas atrai muitos apoiadores do sul empobrecido da Itália, enquanto a base eleitoral da Liga é composta por ricos do norte do país. Se o 5 Estrelas busca criar benefícios previdenciários, a Liga quer reduzi-los. É provável que uma das primeiras questões de acordo entre os dois grupos seja sobre desfazer a reforma previdenciária de 2011, que aumentou a idade para a aposentadoria e prevê aumentos futuros.

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As duas partes buscam renegociar as regras fiscais da União Europeia, para permitir que a Itália gaste mais. O 5 Estrelas retomou a promessa de um referendo sobre a adesão da Itália à Zona do Euro, mas a Liga considera a moeda do bloco como falida e quer abandoná-la.

Já o presidente italiano Sergio Mattarela diz que não quer nenhum confronto com a União Europeia. "Temos uma moeda capaz de ser uma âncora concreta nas relações internacionais, um papel que nenhuma moeda nacional pode desempenhar", ressaltou. / REUTERS

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