Ligação da Al-Qaeda com ataques na Índia é improvável

Especialistas dizem que grupo terrorista é desconhecido e agiu de modo diferente dos terroristas de Bin Laden

Mark McDonald, The New York Times

27 de novembro de 2008 | 08h18

Eles chegaram vestindo capas pretas, disparando armas automáticas e lançando granadas. Tomaram reféns e atacaram dois hotéis, um cinema, um café, uma estação de trem e outros alvos populares e indefesos. Quem são eles? Uma mensagem de e-mail para veículos da mídia indiana assumindo a responsabilidade pelos sangrentos ataques em Mumbai na noite de quarta-feira, 26, afirma que os militantes pertenciam ao Deccan Mujahedeen.   Veja também: Polícia liberta reféns de um dos hotéis na Índia Assista ao vídeo com cenas dos ataques  Não há vítimas brasileiras em ataques na Índia, diz Consulado   Especialistas em terrorismo global com experiência no sul da Ásia disseram nesta quinta que nunca ouviram falar do grupo. E com base nas táticas usadas nos ataques, eles afirma que é provável que eles não sejam um grupo ou célula terrorista ligada aos insurgentes da Al-Qaeda. "Não está claro se este é um grupo real ou não" afirmou Bruce Hoffman, professor da Escola de Relações Exteriores Edmund A. Walsh da Universidade de Georgetown e autor do livro "Inside Terrorism". "Pode ser um nome falso para outro grupo, ou um nome adotado apenas para esse incidente em particular", afirmou.   Christine Fair, cientista política e analista da Corporação Rand para o sul da Ásia, foi cuidadoso afirmar que a identidade dos terroristas ainda não é conhecida. Mas ela insistiu que o estilo dos ataques e os alvos em Mumbai sugerem que os militares são indianos muçulmanos e não ligados aos terroristas da Al-Qaeda ou ao Lashkar-e-Taiba, outro violento grupo da região.   "Não há absolutamente nada da Al-Qaeda desse tipo", afirmou Christine sobre os ataques. "Você vê algum homem-bomba? E não há marcas do Lashkar. Eles não fazem reféns e lançam granadas". Ela notou ainda que o fato do grupo não ter proclamado sua ideologia no manifestado que assumiu a autoria não é incomum. Hoffman concorda que o ataque não seguiu o modus operandi da Al-Qaeda, que são os atentados suicidas, mas ressalta que os atentados, que chamou de "táticos, sofisticados e coordenados", talvez apontam para uma grande organização por trás dos responsáveis. "Você não vê esse tipo de operação terrorista normalmente", afirmou. "Eles não são apenas um grupo de radicais se unido por uma causa", "você não aprende isso na internet".   A palavra Deccan descreve o meio e o sul da Índia, que é dominado pelo Deccan Plateau. Mujahedeen é uma palavra árabe comumente usada pelos extremistas religiosos, mas o nome - se for de um grupo real - sugere interesses domésticos. Christine acredita que os ataques possam ter sido "outra manifestação de terrorismo local". "Há muitos, muitos muçulmanos irritados na Índia". "As disparidades econômicas são impressionantes, e a Índia tem sido muito lenta em abraçar publicamente o crescimento do problema no país. Este é um desafio político na Índia".

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