Ligação entre Saddam e Al-Qaeda não está provada, diz grupo da ONU

Não existem provas, pelo menos por enquanto, ligando o regime de Saddam Hussein no Iraque e a rede de terroristas Al-Qaeda. A informação é de especialistas da ONU, que rejeitam a acusação feita na terça-feira pelo primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, de que a relação entre Bagdá e o grupo de Osama Bin Laden seria estreita. A avaliação da falta de provas foi feita por um grupo da ONU encarregado em estudar as sanções contra o grupo de terroristas. "Não encontramos nada até agora e ninguém é capaz de produzir qualquer evidência da relação entre o Iraque e Al-Qaeda ", afirma o chefe do grupo de especialistas, Michael Chandler. O grupo, de cinco membros, foi criado no ano passado pela ONU para monitorar as sanções impostas desde 1999 à rede de terroristas e ao então governo do Afeganistão, controlado pelo Taleban. Para Chandler, o Iraque é basicamente um país laico, enquanto a rede de terroristas tem uma profunda ideologia fundamentalista que guia as ações do grupo. "Saddam Hussein não quer um califato. Quer estar no poder", afirma o especialista da ONU. Desde que os Estados Unidos começaram a se preparar para um ataque ao Iraque, a ligação entre os terroristas e Bagdá foi sempre um argumento utilizado pela Casa Branca para tentar justificar uma guerra. Logo após os atentados terroristas nos Estados Unidos, em setembro de 2001, Washington divulgou uma informação de que representantes de Bagdá e da Al-Qaeda estiveram reunidos. Além disso, a Casa Branca tem usado a justificativa de que Bagdá poderia passar armas químicas, biológicas ou até nucleares para terroristas para conseguir apoio internacional em sua campanha contra Saddam Hussein. Até hoje, porém, nada ficou provado e nenhuma evidência foi mostrada pelos governos dos Estados Unidos e da Inglaterra.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.