Ligado a republicanos, prefeito de NY apoia Obama por resposta a furacão

Peso eleitoral. Apesar de manter críticas aos dois candidatos, bilionário Michael Bloomberg afirma que presidente americano é o nome mais adequado para lidar com as mudanças climáticas, que ele acredita terem agravado a devastação causada pelo Sandy

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2012 | 02h04

O presidente americano, Barack Obama, que tenta sua reeleição, conquistou ontem um dos mais disputados apoios na campanha presidencial. Em um anúncio surpreendente, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que é independente mas ligado aos republicanos, afirmou que pretende votar no presidente nas eleições da terça-feira.

Bloomberg, um dos homens mais ricos dos Estados Unidos, publicou um artigo no site da agência de notícias que leva o seu nome delineando os motivos para escolher Obama nas eleições presidenciais. Com o título de Um voto para um presidente liderar nas mudanças climáticas, o artigo do prefeito avalia que as posições de Obama sobre aquecimento global, direito ao aborto e casamento entre homossexuais o tornam o líder mais preparado neste momento.

Apesar disso, Bloomberg criticou o presidente por "adotar uma agenda populista mais focada em distribuir riquezas do que em criá-la" e não ter "feito progressos na imigração, redução de armas ilegais, reforma tributária e redução do déficit".

Historicamente, Bloomberg adota as posições econômicas dos conservadores - elegeu-se prefeito em 2001 e em 2005 pelo Partido Republicano, que deixou em 2007. No próprio artigo, afirmou que Mitt Romney levaria uma importante experiência empresarial para a Casa Branca. Ele elogiou Romney por suas posições em temas sociais no passado. "Entre 1994 e 2003, eu votaria nele para presidente. Mas seus últimos quatro anos, em uma palavra, foram decepcionantes", disse.

Campanha. Depois de três dias concentrado na passagem da tempestade Sandy pelos Estados Unidos, o presidente retomou ontem sua campanha em ritmo acelerado para recuperar o tempo perdido em corpo a corpo com os eleitores. O democrata escolheu como primeira parada Green Bay, no Estado ainda indeciso de Wisconsin, onde atacou seu rival republicano Mitt Romney por ter adotado, nesta reta final da eleição, o bordão "mudança", slogan de Obama na campanha de 2008.

"O que o governador Romney está oferecendo, com certeza, não tem nada de mudança. Depois de quatro anos como presidente, vocês me conhecem. Podem não concordar com todas as minhas decisões e estar frustrados com o ritmo da mudança. Mas vocês sabem que eu vou lutar cada dia por vocês e suas famílias", afirmou, Wisconsin é o Estado do parceiro de chapa de Romney, o deputado Paul Ryan.

"Eu sei o que é mudança porque eu lutei por ela. Você também. Apesar de tudo, estamos no meio dela e não podemos voltar atrás agora."

Obama fez ontem um périplo por três Estados decisivos na terça-feira: Wisconsin, Nevada e Colorado, com o objetivo de motivar o seu eleitorado cativo a votar. Como o voto não é obrigatório nos EUA, a abstenção torna-se uma ameaça tanto para Obama como para Romney.

A apenas cinco dias da eleição, ambos estão empatados nas pesquisas nacionais. Nos cálculos do Real Clear Politics (RPC), cada um tem 47,4% das intenções de voto. Com base nas pesquisas estaduais, o RCP constata haver chances para os dois de vitória no Colégio Eleitoral.

Seu desembarque no ponto final de sua jornada de ontem, Columbus, capital de Ohio, estava previsto para as 2 horas da madrugada (meia-noite, no horário de Brasília) de hoje. Depois de Green Bay, Obama fez comícios em Las Vegas (Nevada), Boulder (Colorado). Hoje, em Ohio, um dos mais decisivos Estados, discursará em três cidades e retornará para a Casa Branca. Amanhã, novamente percorrerá Iowa, Wisconsin e Virgínia,

Em comunicado, o porta-voz da campanha democrata, Adam Fetcher, disse que o objetivo de Obama nestes últimos dias de campanha é mostrar-se como o candidato que faz da recuperação da classe média o principal elemento de reconstrução da economia americana. "O governador Romney vem usando todo o seu talento de vendedor para renovar as mesmas políticas que tanto arruinaram o nosso país", criticou o presidente.

Romney ontem retomou os ataques de campanha contra Obama, após uma trégua durante a passagem do Sandy. O candidato acusou o presidente de propor "mais burocracia governamental". Romney fez campanha em uma região conservadora de Virginia, para tentar aumentar o comparecimento dos eleitores republicanos às urnas e contrabalançar a vantagem dos democratas no norte do Estado. Virgínia foi pró-Obama em 2008.

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