Likud deve ter dobro de cadeiras dos trabalhistas

O Partido Likud, do primeiro-ministro Ariel Sharon, parecia dirigir-se a uma ampla vitória nas eleições israelenses, marcadas por uma baixa participação dos votantes. Duas horas antes do fechamento das urnas, às 22h locais, apenas 64% dos 4,7 milhões de eleitores tinham comparecido aos cerca de 8.000 colégios eleitorais.Pesquisas de boca-de-urna divulgadas por três tevês israelenses indicavam que o Likud deveria obter entre 32 e 36 cadeiras do Parlamento israelense (Knesset), de 120 membros.Seu principal opositor, o Partido Trabalhista (de centro-esquerda), liderado por Amram Mitzna, ficaria em segundo lugar, preenchendo entre 17 e 19 cadeiras. Já o centrista Shinuideveria eleger entre 14 e 17 parlamentares.Apesar da vitória segura, obtida aparentemente por causa dos 28 meses de levante palestino, Sharon terá a difícil tarefa de tentar formar um duradouro governo de coalizão, de base ampla, necessário para conduzir Israel neste período de crise."Espero que esta seja a última vez que tenhamos eleições nos próximos quatro anos", disse Sharon, enquanto votava em umaescola secundária em Jerusalém. O general da reserva de 74 anosdisse que espera estabelecer um governo que chegue até o fim deseu mandato de quatro anos e ponha fim a um período deinstabilidade política, que levou Israel a realizar três eleições desde 1999.Nenhum governo israelense ficou no poder por um períodocompleto de quatro anos desde 1988 e a coalizão de Sharonsobreviveu menos de dois anos.Os trabalhistas descartaram a possibilidade de formar outro governo de coalizão com o Likud, o que deixará Sharon com poucas opções a não ser formar uma aliança com os direitistas, osultranacionalistas e os partidos religiosos. Uma aliança dessetipo levaria ao endurecimento da política israelense com relaçãoaos palestinos e prejudicaria as relações de Israel com os EUA,seu principal aliado.Mitzna, de 57 anos, que votou na cidade costeira de Haifa, deonde foi prefeito, disse esperar que um novo caminho sejatomado.Sharon manteve tropas israelenses em cidades e povoadospalestinos durante meses, assegurando que elas permanecerão aliaté que os palestinos cessem os atentados. Mitzna, por sua vez,é a favor de uma rápida retirada dos soldados israelenses e dosassentamentos judaicos na Faixa de Gaza e em grande parte daCisjordânia.Para evitar incidentes, as forças de segurança de Israelproibiram a entrada de palestinos em território israelense.Cerca de 30.000 soldados e policiais foram enviados aos centrosde votação e a locais públicos após as advertências de quemilitantes palestinos planejavam cometer atentados.Os árabes israelenses, que boicotaram as eleições paraprimeiro-ministro dois anos atrás, compareceram em grande número aos centros eleitorais e votaram, principalmente, em partidos árabes para representá-los no Parlamento. "Nós estamos votando hoje para mostrar que somos daqui e nunca deixaremos este país", disse Suleyman Abu Ghosh, de 26 anos, morador de um vilarejo árabe na periferia de Jerusalém.

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