Likud rejeita plano de retirada da palestina de Sharon

O plano do primeiro-ministro de Israel Ariel Sharon, de retirada total dos 21 assentamentos israelenses da Faixa de Gaza e de retirada parcial de 4 colônias isoladas da Cisjordânia foi rejeitado na votação realizada em todo o país com os integrantes do partido governista Likud. Segundo pesquisas de boca-de-urna do Canal 2 da TV israelense, 56% dos integrantes que foram votar rejeitaram o plano, para 44% que votaram a favor. Já o Canal 10 revelou que 58% dos que compareceram à votação rejeitaram a proposta, para 42% favoráveis a ela. Na pesquisa do Canal 1, a derrota de Sharon foi ainda mais expressiva, com 62% contra seu plano e 38% a favor. O comparecimento dos filiados ao Likud foi fraco, com pouco menos da metade dos 193 mil membros votando em todo o país. Logo depois dos primeiros resultados, o primeiro-ministro Sharon afirmou que não renunciaria ao cargo e respeitaria a decisão do Likud, apesar de ter antecipado que não aceitaria os resultados da consulta como vínculos legais. Hoje à noite, o líder da oposição de esquerda de Israel, Shimon Peres, pediu a convocação de eleições gerais antecipadas depois da rejeição do plano, alegando que o país ficou numa posição "insustentável" do ponto de vista internacional. Depois da divulgação das primeiras pesquisas, importantes líderes palestinos manifestaram a esperança de um retorno ao diálogo, tanto por parte de Israel como por parte dos Estados Unidos, para um plano de paz na região. "Depois de tal fracasso, o governo israelense deve recomeçar imediatamente as negociações com os representantes do povo palestino para aplicar seriamente o roteiro para a paz (o plano de paz alinhavado com a Casa Branca)", afirmou Nabil Abu Rudeina, o principal conselheiro do presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat. No entanto, a Casa Branca anunciou no final da noite que os EUA não iria retirar o apoio ao plano de Sharon mesmo após a derrota nas urnas, frustrando a esperança de outros palestinos, como o primeiro-ministro Ahmed Qureia e o ministro encarregado das negociações, Saeb Erekat, que acreditavam numa reconsideração de posição por parte dos norte-americanos. "Nós entreremos em contato com o primeiro-ministro (Sharon) e o governo de Israel para decidir como prosseguiremos", disse o porta-voz do governo dos EUA.

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