AFP PHOTO / K M ASAD
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Limpeza étnica contra Rohingyas continua em Mianmar, aponta relatório dos EUA

Documento produzido pelo Departamento de Estado diz que cerca de 680 mil pessoas fugiram do país para evitar a violência; estudo também critica países como Coreia do Norte e Paquistão

O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 15h10

WASHINGTON - A limpeza étnica contra os muçulmanos Rohingya em Mianmar não parou, apesar da crescente condenação da comunidade internacional, afirmou o governo do presidente americano, Donald Trump, nesta terça-feira, 29. O embaixador dos Estados Unidos para liberdade religiosa, Sam Brownback, divulgou relatório produzido pelo Departamento de Estado americano sobre o assunto. O documento afirma que a violência continua e estima que cerca de 680 mil pessoas fugiram de Mianmar a Bangladesh.

"Não acho que tenhamos visto progresso naquele país", afirmou Brownback. Ele ressaltou que, em vez de mudar o rumo das atitudes, as autoridades birmanesas estavam "dobrando" a violência, ao abrirem uma nova frente contra os Rohingya no Estado de Kachin. Em novembro, os EUA declararam que a violência contra os Rohingya em Mianmar constituía limpeza étnica e impuseram sanções contra o país.

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O relatório também destaca outras preocupações dos EUA sobre a liberdade religiosa no mundo e afirma que entre 80 mil e 120 mil pessoas são mantidas presas na Coreia do Norte por motivos religiosos, destacando que os prisioneiros são mantidos em "condições horríveis" e em locais remotos. O documento ainda aponta que centenas de milhares de muçulmanos uigures na China foram forçadamente enviados a centros de reeducação.

A Arábia Saudita também é citada no estudo. O país proíbe a prática pública de qualquer religião que não seja o islamismo. O texto observa um "padrão de preconceito e discriminação da sociedade" contra muçulmanos xiitas na nação, que é predominantemente sunita. No entanto, o embaixador disse que os comentários recentes do príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman sobre expansão das liberdades foram encorajadores.

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O relatório ainda fala do Paquistão, onde ao menos 50 pessoas foram presas sob a acusação de blasfêmia no ano passado. De acordo com o texto, pelo menos 17 delas receberam penas de morte.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, comentou o relatório e anunciou que os EUA sediarão uma cúpula global sobre o avanço da liberdade religiosa nos dias 25 e 26 de julho, mas não revelou quais países participarão. "A liberdade religiosa internacional merece ser um assunto de primeira linha", afirmou Pompeo. / AP

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