Linha de frente do Taleban resiste a ataques dos EUA e da Aliança do Norte

Aviões de combate dos Estados Unidos bombardearam, nesta terça-feira, linhas de frente do Taleban e um bastião de Osama bin Laden no norte de Cabul - ataques que a oposicionista Aliança do Norte espera abrirão caminho para um avanço sobre a capital afegã. Mas as tropas talebans mantiveram suas posições, lançando mísseis e disparando morteiros contra as forças oposicionistas. Autoridades do Taleban e da Aliança do Norte também noticiaram ataques dos EUA ao redor da estratégica cidade nortista de Mazar-i-Sharif, onde fracassou na semana passada uma ofensiva da oposição. O Taleban afirma ter rechaçado ataques da Aliança do Norte que se seguiram aos bombardeios americanos. Também nesta terça-feira, aviões de combate americanos explodiram importantes suprimentos de combustíveis do Taleban na cidade de Kandahar - quartel-general da milícia e praticamente abandonada por seus 500.000 habitantes depois de semanas de contínuos bombardeios. Nos últimos dias, forças dos EUA passaram a concentrar seus ataques sobre as linhas de frente dos talebans nos arredores de Cabul e de Mazar-i-Sharif, na esperança de romper as defesas da milícia em cidades-chave. O presidente dos EUA, George W. Bush, lançou a campanha aérea em 7 de outubro, depois que o Taleban recusou-se a entregar Bin Laden, principal suspeito dos atentados terroristas do mês passado nos Estados Unidos. Nesta terça-feira, jatos americanos sobrevoaram em altas altitudes a linha de frente em Cabul e depois fizeram rasantes para despejar suas bombas enquanto moradores observavam as manobras. Residentes em comunidades controladas pela oposição aplaudiam cada vez que uma explosão era ouvida, acompanhada de uma coluna de fumaça branca. Nove explosões consecutivas foram ouvidas, e testemunhas disseram que pelos menos cinco bombas atingiram a linha de frente do Taleban. "Se Deus quiser, essas bombas vão permitir que cheguemos a Cabul", afirmou um combatente da oposição, Saeed Rafik. Algumas bombas caíram na vila de Uzbashi, um acampamento da al-Qaeda perto de Bagram, disse o porta-voz opositor Waisuddin Salik. Acredita-se que lutadores árabes da rede de Bin Laden formam o núcleo das forças talebans no front no norte da capital. Os bombardeios, entretanto, parecem apenas tornar as forças do Taleban mais agressivas. Enquanto passavam os jatos dos EUA, combatentes talebans disparavam mísseis, morteiros e artilharia contra as linhas da aliança. Um míssil do Taleban atingiu o mercado público de Charikar, 50 km ao norte de Cabul, matando duas pessoas e ferindo outras 14. "Queremos que a guerra vá até o fim, e acabe com os mísseis do Taleban", disse Mohammad Nabi, cujo filho foi levemente ferido pelo míssil. "Deixem a América bombardeá-los." Comandantes da oposição afirmaram que o Taleban reforçou suas posições e aproximou suas tropas das linhas da aliança na esperança de tornar mais difícil para os pilotos dos EUA diferenciar os alvos certos. Na segunda-feira, uma bomba caiu atrás das linhas da aliança, mas não houve notícia de vítimas. Na vila próxima de Qalai Dasht, combatentes do Taleban e da aliança se enfrentavam de tetos de casas de barro a meros 50 metros de distância. O general Baba Jan, comandante da Brigada Bagram, disse serem necessários mais ataques aéreos e "mais coordenação" com os americanos para desalojar o Taleban e seus aliados da al-Qaeda. Ao longo do front nas proximidades de Mazar-i-Sharif, um alto comandante da oposição, Ata Mohammed, disse que a aliança estava concentrando tropas para um grande assalto à cidade, que o Taleban capturou em 1998. Falando a repórteres em Tashkent, no Uzbequistão, por telefone por satélite, ele afirmou que um pequeno número de americanos estava na área para coordenar os ataques aéreos. "Estamos aguardando os bombardeios aéreos americanos para apoiar nosso ataque", disse. Mesmo assim, a aliança estava aparentemente encontrando dura resistência ao redor de Mazar-i-Sharif. Autoridades talebans garantiram que seus combatentes repeliram nesta terça-feira uma ofensiva oposicionista lançada após os ataques aéreos americanos. Outro porta-voz da oposição, Ibrahim Ghafoori, afirmou que soldados da aliança avançaram de 12 a 15 km em direção a Mazar-i-Sharif em meio a duros combates nesta segunda e terça-feira. Patrulhas da oposição se aproximaram da cidade na semana passada, mas foram rechaçadas num forte contra-ataque taleban. "Eles sofreram uma grande derrota alguns dias atrás e não serão capaz de atacar", disse o embaixador do Taleban no Paquistão, Abdul Salam Zaeef, em Islamabad. "Apenas os estrangeiros estão encorajando um ataque a Mazar-i-Sharif". Autoridades talebans afirmaram que 52 civis foram mortos em ataques nesta terça-feira contra duas vilas nos arredores de Kandahar e uma nas proximidades da cidade ocidental de Herat. A notícia não pôde ser confirmada por fonte independente. Os Estados Unidos garantem estar alvejando apenas posições do Taleban e da al-Qaeda e não civis. Em Kandahar, jatos americanos bombardearam um depósito de combustível e um comboio de caminhões-tanque, produzindo uma grossa nuvem de fumaça negra. Os aviões dos EUA também bombardearam uma montanha a oeste de Kandahar onde tropas talebans tentavam reparar uma estação de radar bastante danificada em ataques anteriores. Em Islamabad, funcionários da ONU confirmaram, nesta terça-feira, que um ataque americano no dia anterior atingiu um hospital militar dentro de uma base Taleban na cidade ocidental de Herat. A ONU não tinha notícias de vítimas. O Taleban afirmou na segunda-feira que 100 pacientes e corpo médico foram mortos no ataque. O Pentágono admitiu nesta terça-feira que uma bomba de 500 kg lançada por um de seus aviões caiu por engano nas proximidades de um asilo de velhos em Herat. Mas o Pentágono não reconheceu ainda o bombardeio do hospital. Leia o especial

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