ULISES RUIZ / AFP
ULISES RUIZ / AFP

Coleção de roupas exalta El Chapo, ex-chefão das drogas

Advogado diz que empresa é da filha do ex-líder do cartel de Sinaloa e vendas ajudarão na 'reinserção social' de ex-detentos

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2019 | 22h48

GUADALAJARA, MÉXICO - Jaquetas com cores metálicas ou estampas florais e extravagantes cinturões bordados são algumas das peças de uma linha de roupa inspirada em El Chapo lançada nesta terça-feira no México, na véspera do anúncio nos EUA da sentença do ex-chefão do cartel de Sinaloa.

"El Chapo 701" é a marca de roupa apresentada em uma exposição de moda na cidade mexicana de Guadalajara, no Estado de Jalisco, oeste do país. Apesar de ocupar um espaço de quatro metros quadrados em um canto escondido, o estande é um dos mais procurados da feira.

Ele chama tanto a atenção de curiosos, atraídos por enormes caixas de papelão com a figura de Joaquín Guzmán impressa em negro, quanto a de distribuidores de roupas que exploram a possibilidade de vender a inusitada coleção em estabelecimentos comerciais.

A linha, segundo Gilberto de Anda, que se apresentou como advogado da empresa, é de propriedade de Alejandrina Guzmán, filha do narcotraficante, apesar de a mídia mexicana acreditar que a dona seria a atual mulher de El Chapo, Emma Coronel.

De acordo com Anda, muito mais que um negócio, se trataria de um gesto altruísta. "A renda será destinada aos (presos) nos presídios e às pessoas que precisem de ajuda", disse.

O catálogo conta com cerca de 20 roupas e acessórios, muitos com o número 701 impresso - a posição que a revista Forbes colocou Guzmán quando o incluiu na lista dos mais ricos do mundo em 2009.

Os preços são variados, vão desde casacos de US$ 35 até carteiras, jaquetas e cinturões de mais de US$ 400. Na linha feminina se destaca uma jaqueta dourada de US$ 98.

A peça mais cobiçada do catálogo é um cinto com um trabalho artesanal de bordado em couro que é muito popular na narcocultura e nas zonas rurais do México.

"Confeccionados por presidiários e ex-detentos da prisão de Puente Grande. Numerados do 001 ao 701", diz a publicidade, segundo a qual as pessoas que comprarem os produtos ajudarão na "reinserção social" dos prisioneiros.

Guzmán, que chegou a ser considerado o narcotraficante mais poderoso do mundo, fugiu em janeiro de 2001 do presídio de Puente Grande, na primeira de suas fugas. Foi recapturado em fevereiro de 2014, mas 17 meses depois realizou outra espetacular fuga de uma prisão de segurança máxima.

Foi detido pela terceira vez em janeiro de 2016 e, um ano depois, foi extraditado para os Estados Unidos.

Em 12 de fevereiro, um júri o considerou culpado de traficar mais de 1.250 toneladas de drogas para os Estados Unidos. Um juiz de Nova York deve condená-lo nesta quarta-feira à prisão perpétua. / AFP

 

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